quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

"Strani Amori."

     O forte sol que recaía sobre Roma naquela tarde de julho forçara o jovem Luigi a parar no primeiro Café que encontrara, para tomar algo refrescante.

     Algumas horas na Itália, e o rapaz já começava a se surpreender com o país de origem dos avós.. Não esperava tanto calor, porém sabia que seus conhecimentos acerca do país - constituídos através das novelas da Rede Globo, e do que pôde ler em sites da internet - não eram lá essas coisas. Luigi estava ali para um curso de culinária italiana, que duraria uma semana e pelo qual planejou durante um semestre inteiro.

     Quando se senta, observa que na outra mesa estava uma garota que lhe chamava a atenção, com seus belos olhos cor de mel fixos num livro sobre vinhos e massas. Era Maria, também oriunda do Brasil e inscrita no curso de culinária, e Luigi não poderia perder a oportunidade de fazer contato com garota de tamanha beleza. “Os vinhos daqui são insuperáveis né?” falou o rapaz, tentando iniciar uma conversa. “Puxa, demais.. aqui nesse guia de bolso diz que os vinhos do Valle d'Aosta estão entre os melhores..” respondeu a garota, mostrando ser conhecedora do assunto. “Saber escolher o vinho certo para acompanhar cada receita pode dar um sabor insuperável ao prato..” disse o jovem, tentando acompanhar a conversa de alto nível intelecto-culinaresco. Luigi então se senta na mesa com Maria, e passadas as apresentações, os dois engatam um bate-papo que dura até altas horas da noite, como não poderia deixar de ser, com um bom vinho tinto e uma pizza acompanhando. “Caramba, você é do Rio, como eu, e nunca nos vimos por lá..” comentou Maria, já começando a se encantar pelo jeito engraçado e levemente distraído de Luigi, que respondeu de bate-pronto: “Verdade, e viemos nos encontrar justo aqui em plena Itália, o país em que tudo tem uma pitada de romance..” ao terminar sua frase, Luigi nota as lindas bochechas de Maria ficarem rosadas ao escutar o que ele lhe dissera. “Puxa, como ta tarde né, amanhã o curso já começa às 9h, vamos embora pro Hotel?”, despista a garota, para que ele não percebesse como ela gostou de escutar aquilo. Os dois vão embora juntos para o Hotel San Paolo, em que estavam hospedados e se despedem com um abraço que fez o coração de ambos bater mais forte. Nos dias que se seguiram os jovens vão se conhecendo mais, e pouco a pouco a intimidade entre ambos vai aumentando, dando mais motivos pros boatos de que estavam juntos circularem entre os outros aprendizes de cheff. Contudo, Maria sempre recuava, sempre levantava a guarda, quando Luigi tentava se aproximar do assunto ‘nós’ com ela, sempre com os argumentos de que “podia dar errado e eles perderem aquela amizade que estavam construindo ali”, ou de que “tenho medo de sofrer, porque venho de um término de namoro de 6 anos, e ainda não sei se to pronta pra nada..”
     O quinto dia de estada na Itália se inicia, e Luigi não consegue parar de pensar em Maria, e em como poderia fazê-la arriscar por ele. O jovem queria lhe dizer de como se sentia bem com ela, de como estar com ela lhe dava uma sensação arrebatadora de completude, em fazê-la saber como seu sorriso iluminava sua alma já calejada por decepções ao longo da vida. Como que por inspiração Divina, Luigi sai para a rua para pensar, e avista um velinho com um violão a tocar Lo Straniero, de Bobby Solo. Surge então sua grande idéia, e Luigi põe-se a conversar com o velho, em um italiano precário, e consegue comprar o violão com os 40 euros que carregava no bolso. Em disparada  ele se dirige até o Hotel San Paolo, toca a campainha do quarto de Maria, e a chama para ir com ele até a praça Campo de’Fiori, sem que ela entendesse nada do que estava acontecendo: “To entendendo nada Luigi, me explica o que você ta querendo me mostrar..” “Calma que na hora certa você vai entender..” respondeu o rapaz, com um sorriso no canto da boca que denunciava alguma intenção escondida à sete chaves. Chegando à praça, Luigi e Maria se sentam embaixo de uma árvore, e ele pega o violão, que tanto a intrigou pelo trajeto, e começa a falar com ela: “Você sabe que tem algo muito grande acontecendo entre a gente, e eu não posso deixar que o medo, seja lá de qualquer coisa que seja, tire a oportunidade de vivermos algo único. Te trouxe aqui, pra você escutar uma música que eu venho escutando desde que cheguei aqui na Itália, e não entendia o motivo dela ficar na minha cabeça. Não entendia, mas  agora entendo... ela diz assim..” imediatamente, Luigi pega o violão e se põe a cantar, com uma voz doce e lenta, fazendo Maria, com os olhos marejados e em choque, sentir cada palavra cantada por ele:
“You'll never know if you never try, to forgive your past and simply be mine...”
 Imediatamente, Maria o abraça, e sente uma leveza e segurança que jamais havia sentido na vida. Olhando nos olhos dele, ela só consegue dizer “você não existe...” e o beija suave e lindamente, deixando os transeuntes emocionados com tamanha demonstração de amor.
     Ao se permitir arriscar com aquele rapaz que encontrou em um lugar onde jamais poderia imaginar, Maria achou o que não havia encontrado nos 6 anos que havia passado com alguém que não a completou como Luigi o fez. Desse momento em diante, a Itália nunca mais seria a mesma para os dois jovens, que começaram ali um amor nascido do imprevisível, do imponderável.





“E sono strani amori che
Fanno crescere e sorridere
Fra le lacrime
Quante pagine lì da scrivere
Sogni e lividi da dividere
Sono amori che spesso a questa età
Si confondono dentro a quest'anima
Che si interroga senza decidere
Se è un amore che fa per noi...”



você nunca saberá, se não tentar. ;)

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não sabe de nada, mas acha sobre muita coisa. pensa sobre tudo, o tempo todo. repara em tudo, o tempo todo. acima de qualquer coisa, é um otimista incorrigível. não se apega a estereótipos, e acredita ser essa uma de suas maiores qualidades. prefere um sorriso bonito a um corpo escultural, e um olhar sincero em detrimento de qualquer noitada homérica. não pretende ser e nem inveja o 'estilo charlie sheen' de vida, em absoluto. quer agradá-lo? cite Los Hermanos, The Killers ou Charlie Brown Jr. quer desafiá-lo? jogue a carta +4 no UNO e aguente o revide. hahaha. a estrada vai além do que se vê. nunca se esqueça. :)

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