sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Everything Changes..


    



     O que nós realmente precisamos nessa vida? As vezes eu olho pra mim mesmo, e sinto que não esta certo.. pessoas lá fora sem comida à noite, e nós dizemos que nos importamos mas nós não nos importamos, então todos mentimos...
     E se existisse mais do que isso? E se um dia nós nos tornássemos o que nós fazemos, não o que falamos? E nós terminassemos nessa merda toda em que eles estão, e os papéis fossem invertidos, e fosse diferente? E se nós fossemos aqueles sem nada para comer, se nós fossemos aqueles com sangue nas nossas ruas, fossemos aqueles com toda a descendência e eles fossem aqueles que só assistem a TV? E se fossemos aqueles quebrados e despedaçados com nossas vidas nas costas, e nossa esposa nos braços, e eles fossem aqueles que diziam "Caramba, isso é tão triste"? E se fossemos aqueles?
     Nada nunca mudará.. olhando por esse lado, nada nunca mudará!
     Olhe para os seus sonhos e suas intenções, o quão egoísta eles são pra você mencionar? Transformar algumas centenas em milhões, casar com uma modelo e ter alguns filhos? Bem... eles tiveram sonhos  também, eu imagino...
     Agora, olhe para os seus pesadelos e seus piores medos.. seu carro, sua casa e sua garota, e isso acaba por aí. Todas essas coisas que você não pode imaginar perder, tipo "Oh, não, e se isso acontecesse comigo?"
     Bem... o que você tem eles nunca tiveram, nem foram como você, nem tiveram a suas chances, nem foram como você antes de partirem.
     Talvez nós precisemos de mais calçados nos nossos pés, talvez nós precisemos de mais roupas e TV's. Talvez nós precisemos de mais dinheiro e jóias, ou talvez nós não sabemos  tudo o que precisamos. Talvez nós precisemos querer consertar tudo isso, talvez parar de falar, talvez começar a escutar. Talvez nós precisemos olhar para esse mundo menos como um quadrado, e mais como um círculo!
     Tudo muda, nada permanece o mesmo, e se você se sente envergonhado talvez você devesse mudar isso, antes que seja tarde demais. Talvez você devesse mudar isso, meu irmão, nós estamos empacados no portão, talvez você devesse mudar isso, porque tudo muda.

Adaptado de SOJA – Everything Changes

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

'Chance.'

     Se me for pedido para resumir em uma palavra algo que todos buscam na vida, eu diria que todos querem uma 'chance'. Uma chance de fazer tudo certo. Uma chance de conseguir um bom emprego. Uma chance de realizar o sonho da vida. Uma chance de fazer alguém feliz. Uma chance de ser feliz. Uma chance de encontrar a pessoa certa. Uma chance de fazer a pessoa certa voltar. Uma chance de calar os críticos. Uma chance de triunfar. Uma chance de viver sem as dores que o passado podem lhe causar. Uma chance de construir algo novo. Uma chance de consertar algo estragado. Uma chance de tornar o erro do passado no acerto do futuro. Uma chance de pedir perdão. Uma chance de perdoar. Uma chance de se tornar alguém melhor. Uma chance de tornar outra pessoa um alguém melhor. 
     Várias possibilidades de empregar a palavra chance, uma infinidade de histórias que podem se modificar com apenas uma chance. Os dias correm e desaparecem, e todos continuamos com fé aguardando nossa tão sonhada chance, seja lá do quê. Não perder a força e o sonho, é um passo importante para que tudo aconteça. Busque sua chance, seja a chance de alguém, tenha fé, que uma hora sua chance vem.


this is it.

domingo, 26 de agosto de 2012

'Infinita Highway, uma engenharia letrificada da vida..'

Você me faz correr muitos riscos nessa vida, me faz correr atrás de novos horizontes, novas possibilidades nessa solitária caminhada..
Nós estamos sozinhos, e nem eu nem você sabemos até onde essa vida vai chegar, ou que ela tem reservado pra gente..
Mas sabe de uma coisa? Nós não precisamos saber de tudo, saber o que fazer, saber pra onde ir, contanto que façamos, que possamos dar o primeiro passo. Não devemos querer aquilo que não temos, só precisamos querer viver, e basta. Sem precisar de objetivos, metas, razões, afinal de contas já estamos vivos e essa é nossa lei, na vida.
Houve uma época em que eu vivia preso em uma vida que não me agradava, na qual eu vivia e morria todos os dias. Era uma vida cheia de falsa liberdade e ilusória falta de temor, que na verdade só mascarava o meu imenso medo diante dessa grande imensidão que denominamos vida. Irônico não?
Quando eu vivia essa vida, tinha de tudo que queria, mas eu sempre sentia um vazio, algo que me faltava e me fazia acordar à noite em meio a pesadelos.
Não temos necessidade de lembrar daquilo que já esquecemos, precisamos é viver, sempre a frente. Não queremos aprender aquilo que já sabemos, deixa isso pra lá. Estamos vivos, sem razões e causas para tanto e por isso devemos obedecer nossa lei, viver. Essa é nossa lei na vida.
Já se pegou pensando em algo, sem motivo aparente, mas que sempre tem uma motivação que nós mesmos desconhecemos? Me diz você, garota.. será que essa vida é uma estrada sem volta, um caminho frio e retilíneo, que nos aprisiona e nos mantém sempre pra frente, sem nos permitir nada? Embora você finja que não, eu acho que sim.. mas não vai ser por isso que a gente vai ficar aqui devaneando sem fazer nada de prático, como se estivéssemos com a mente voando, enquanto nossos pés sofrem na caminhada aqui na Terra.. mas tudo bem, pois não adianta mesmo viver essa falsa liberdade, já que tanta gente vive mesmo sem ter condições pra tanto. Tanta gente é "livre", sem saber o que fazer com essa "liberdade".
Novamente essa indagação permeia nosso imaginário.. aonde vamos parar, qual o destino que temos que protagonizar, quais os motivos de aqui estarmos.. as respostas para tudo isso, estão escondidas nas entrelinhas, debaixo dos panos dessa vida, silenciosa e reveladora vida..
Meus olhos começam a chorar, a visão fica trêmula e os olhos umedecem.. sei que posso estar redondamente enganado, fazendo tudo errado, mas é como dizem, "a dúvida é o preço da pureza", e é inútil ter certeza das coisas. Eu vejo outdoors e placas nas ruas ditando normas, regras, leis, e elas me parecem facas de dois gumes, do mesmo modo que me auxiliam, também me prendem.
Não tente entender minha vida, ela é confusa demais e por isso sou tão irracional às vezes, do mesmo modo como alguns ditadores da América Central.
Me escuta, vamos fazer um trato? se eu começar a viajar, a delirar, você desliga o telefone, ok?
Eu posso ser um gênio, um cara comum, ou um louco, mas sou verdadeiro. Não represento um falso papel, estou aqui porquê quero estar, não atoa.
Então façamos outro trato, não vamos usar nossa vida causar impacto, ficar passando dos limites, só para ver até quando aguentamos. Isso não faz sentido algum. Vivendo assim, não carregamos nos lábios a lembrança de um amor, mas sim uma distração para fomentar nossa falsa sensação de liberdade, enquanto deixamos um sorriso verdadeiro para trás, numa das curvas dessa vida interminável, dessa infinita highway...

domingo, 22 de julho de 2012

Chasing Cars. #

     Eu precisava organizar aquele closet, definitivamente. Desde que ela se foi, ninguém limpou ou espanou nada ali, nem colocou nada no lugar. Era um lugar proibido aos demais, amigos ou eventuais empregados, ninguém podia chegar ali senão eu, e por isso foi tudo ficando espalhado. Fotos, papéis, CDs, tudo fora de onde deveria estar. Também pudera, quem sempre organizou tudo ali foi ela. Ah sim, ela. A simples lembrança de Jennifer afligia meu coração de maneira colossal, e isso era de uma ironia sem igual, visto que durante anos foi ela o motivo de meus mais sinceros sorrisos. Foi, até o dia em que se tornou minha maior e mais profunda ferida, naquele dia que jamais me saiu da memória. O dia em que um Zafira atravessou o sinal vermelho e atingiu ela em seu pequeno Ford Ka, voltando do almoço pra trabalhar à tarde em nossa floricultura. Uma batida estúpida, uma morte mais estúpida ainda. Somente o lado em que ela estava no carro foi danificado, ao passo que minha vida como um todo fora afetada por aquela imbecilidade. "Ela morreu na hora senhor, não sentiu dor alguma. Eu sinto muito.." foi o que o socorrista me falou, naqueles instantes de profundo pavor em que eu me encontrava. Era difícil me manter de pé com meu mundo ruindo ao redor, e com o passar dos meses minha dor cada vez mais me aprisionava numa redoma invisível, me afastando pouco a pouco do mundo exterior. Eu precisava dela, esperava por ela voltando para casa no fim do dia, trazendo doces da Fábrica de Doces Brasil para nos deliciarmos enquanto assistíamos alguma comédia do Adam Sandler. Pequenos prazeres que me faziam muita falta, e sem os quais eu jamais me imaginei viver. Quando se encontra alguém como eu encontrei Jennifer, corre-se o risco de não saber mais viver com as próprias pernas, sem a pessoa ao lado. É uma merda essa dependência, mas é assim que as coisas são. A organização do closet era apenas mais uma das coisas que eu jamais fiz sem ela. Não sabia por onde começar a arrumação e o simples fato de ver que tudo ali estava daquele jeito me reconfortava, me trazia seu sorriso na memória, suas broncas quando ela via que eu mantinha muita coisa inútil guardada ali, entulhando tudo e superlotando o espaço. Decidi ir juntando tudo por etapas e comecei pelos CDs, que estavam todos espalhados e correndo risco de serem quebrados. Embaixo de uma pilha de capas estava ele, o "Ventura" do Los Hermanos, que ela me deu no nosso 3º aniversário de namoro, em uma viagem para o Sul do país, inesquecível. Cada coisa que eu recolhia  no chão do closet continha uma parte da nossa história, um fragmento de memórias maravilhosas, e era difícil evitar a contemplação do passado enquanto colocava tudo em seu lugar. Escondido por alguns papéis estava o "Abbey Road" dos Beatles, com o qual eu a presenteei no primeiro dia dos namorados que passamos juntos, durante um jantarzinho em minha casa no qual eu toquei "Something" no violão para ela. Seus olhos brilhando de felicidade ainda me vinham à memória vez ou outra, sempre de maneira especial. Percebi que aquela missão não poderia ser executada de uma só vez, não poderia simplesmente chegar e guardar tudo, trancafiar todas as memórias em uma caixa e ir embora. Arrumar o closet era um rito de passagem, e eu precisava passar por aquilo calmamente, por mais que fosse demorado e dolorido. Não poderia fugir da dor, porque foi amor e sendo assim, sempre iria doer. Com o passar do tempo ela seria menor, mas ainda estaria ali. 
     Tomar um café me pareceu uma idéia interessante, e desci para a rua rumo à cafeteria que havia na esquina. Em um sábado nublado e seco, lá estava eu andando pela rua de bermuda e camisa xadrez, cabelo desgrenhado e barba por fazer. Me sentei na mesa ao fundo da cafeteria, e pedi um cappuccino com bolo de laranja. Era nosso pedido costumeiro ali naquele lugar, e viver cercado por lembranças de minha vida antes do desastre começava a me perturbar. Folheando o jornal enquanto esperava meu pedido, noto uma garota chegando no balcão. Ela vestia um jeans e uma camisa do Foo Fighters e por isso de cara já ganhou minha simpatia, traduzida por um "oi, tudo bem?" amistoso enquanto ela passa por mim e se senta na mesa ao lado, com seu expresso. A garota abre um exemplar de Ilíada e começa a ler enquanto toma seu café, e eu não conseguia parar de olhar para ela, sem entender o motivo. Pensei em ir até sua mesa e puxar papo, mas sabia que seria deselegante da minha parte, além de que me era estranha a idéia de ir até ela, uma vez que ainda me sentia ligado à Jennifer. "Melhor ir embora", resolvi, sem ao menos saber o nome da moça. O dia estava passando, e eu teria que passar na floricultura ainda, para fechar o caixa e fechar a loja. Desde que Jenny se foi, tive de colocar um funcionário para trabalhar nos turnos em que eu não estivesse. Nosso negócio juntos era um sonho que havia se realizado, e agora tudo caiu no meu colo sem eu saber direito se estava pronto para aquilo tudo. Enquanto conferia contas, pedidos e entregas, o tempo passava e eu não pensava em mais nada que não aquilo. O trabalho era sem dúvida, um remédio valoroso para a cicatrização das feridas. Já estava na hora de fechar a loja, mas eu resolvi me abaixar para organizar algumas rosas que estavam em um vaso próximo ao chão, e enquanto isso ouço a porta da loja sendo aberta. Escuto uma voz feminina do outro lado da estante procurando alguém para atendê-la. Levanto-me e me surpreendo ao notar que era a garota com camisa do Foo Fighters que estava na cafeteria duas horas antes. "Oi, acho que nos vimos hoje já né, rs. Em que posso ajudar?" eu disse, ligeiramente sem graça. "É verdade, você estava lá na cafeteria hoje né.. mas foi embora logo depois que eu cheguei, rs. Estou precisando de violetas, me mudei para um apartamento na rua de trás, e tô afim de dar uma alegrada no ambiente.." ela me responde, solícita. Começamos a conversar sobre flores, eu ajudo-a a escolher as melhores para sua casa, e ela vai me contando de sua vinda para meu bairro, bem como sua conturbada vida profissional. Seu nome era Laura, e ela era fotógrafa freelancer.. profissão instável, mas segundo ela, muito realizadora. Seu entusiasmo ao falar de fotografia era contagiante, e em poucos minutos passamos de violetas e orquídeas para Matt Hardy e Ansel Adams. Sem nos darmos conta, a hora passou voando e já eram quase 15h, hora em que nenhum restaurante está aberto pelo bairro. Nenhum de nós havia almoçado, e pelo relógio, teríamos que ir para nossas casas pra comer. Fechei a loja, nos despedimos e marquei com ela de ir entregar os arranjos com as violetas em sua casa no domingo à noite. Nos despedimos e em seguida me bate uma sensação estranha, fazia muito tempo que eu não conversava com outra mulher assim. Minha vida com Jenny me satisfazia e ela era minha melhor amiga, conversávamos sobre tudo e por isso a idéia de outra garota batendo papo comigo, me era ainda algo diferente. Já em casa, volto para o closet, outra vez mergulhando no passado e me dedicando a organizá-lo, para pouco a pouco me libertar das amarras que as lembranças se tornavam. Eu não fazia idéia de que tínhamos tirado tantas fotos quanto as que eu estava organizando naquelas caixas. Era muita coisa, e eu evitava olhar muito para não me perder em pensamentos. Às vezes Jenny se fazia presente só de eu olhar seu rosto em alguns retratos, e eu ficava divagando durante algum tempo, fazendo as vezes de falante e ouvinte, como se ela ainda estivesse ali. Deveria ser proibido alguém partir depois de acostumar outra pessoa à estar com ela. Se eu fosse eleito para algum cargo público, creio que esse seria um de meus primeiros decretos, seguidos do que proibiria que acordássemos antes das 10h, rs. 
A noite chegara, e eu me pego deitado no sofá, assistindo um filme de comédia enquanto comia uma bacia de pipocas. Junto do dueto Miojo & Ovo, esse era o cardápio que eu sabia fazer, então tratei de aproveitar. Laura não me saía da cabeça, seu papo agradável, sua fala arrastada e quase cantada, eram alguns dos detalhes dela que eu pude reparar. Já fazia muito tempo que eu não reparava tanto em alguém, e essa constatação me deu medo: a última garota que reparei tanto, fora Jennifer. Após alguns minutos, o cansaço me vence e durmo com a Tv ligada, e com o chão coberto por pipocas que caíram da bacia quando peguei no sono.


     Nessa cidade de clima imprevisível, não haveria como advinhar que de um sábado nublado e seco, eu acordaria em um domingo de céu azul e Sol pegando. Coisas de Juiz de Fora, nem tente entender. Após organizar a bagunça que deixei na sala, fui almoçar, para depois ir pra floricultura me dedicar aos arranjos de Laura, já que deveria levá-los prontos logo à noite. Depois de algum trabalho, finalmente estava tudo pronto, e ela continuava sem sair da minha cabeça, fato que me causou apreensão. O relógio já iria apontar 18h, e tava na hora de me aprontar pra ir entregar as violetas. Eu normalmente não entregava nada aos domingos, sempre deixava para a segunda, mas aquela garota merecia ser a exceção. Cheguei em seu prédio e toco o interfone. "Oi Laura, é o João.. o da floricultura, lembra? Vim trazer suas violetas.." eu disse, apreensivo. "Claro João, tava te esperando já.. sobe aí.." ela respondeu, com uma voz aparentemente alegre. Ao abrir a porta pra mim, ela diz, ficando corada: "Eu tava com medo de você não vir, sei lá né.. sua namorada poderia encrencar de você vir trazer violetas pra uma garota em pleno domingo.. e eu precisava muito delas, tava achando esse lugar muito triste.." e tímidamente eu respondo "rs, eu não tenho namorada.. gostou dos arranjos então né?" e vou me despedindo para ir embora. Eu estava nervoso como há muito tempo não ficava, e ela segura em meu braço dizendo calmamente: "Espera, você acabou de chegar, queria conversar um pouco.. desde que cheguei aqui você é a única visita que eu recebi."
Ao olhar para aqueles olhos azuis cor de piscina, não tive como recusar o pedido e me sentei. Ela estava linda, com sua camiseta do Pink Floyd e seu short jeans. Não havia nada nela que eu gostaria de mudar. Seus cabelos ruivos, seu sorriso enigmático, seu jeito de rir das minhas piadas.. acho que com todo mundo é assim né, à primeira vista todo mundo é perfeito e indefectível. Ela vai à cozinha e volta de lá com duas taças e uma garrafa de vinho tinto, e nos serve. O papo assim como no dia anterior, flui de maneira incrível e as horas passam num piscar de olhos. A garrafa de vinho estava na metade, e eu resolvi guardá-la para não bebermos demais nem perdermos o controle. Já era tarde da noite, e eu estranhava o fato de estar gostando de estar ali, conversando com ela e descobrindo mais da vida daquela garota, conhecendo suas particularidades e contando as minhas. Em um primeiro momento eu evito contar de Jenny, e noto que foi uma decisão acertada. Tudo tem seu tempo para acontecer, e ali não seria a hora de contar de minha maior ferida. Nunca se expõe tão cedo, nem se revela as fragilidades de maneira tão fácil. Ela resolve colocar um CD para escutarmos enquanto conversávamos sobre assuntos tão variados quanto política e culinária japonesa. Snow Patrol toma conta do ambiente, que pouco a pouco vai ficando mais aconchegante e aproximador, até que um beijo entre nós finalmente acontece e durante algum tempo ficamos ali, nos beijando e compartilhando de um momento único. Eu acabo dormindo ali, e vou embora no dia seguinte, sem saber muito bem o que iria fazer a partir daquilo. Eu deveria ligar pra ela depois? Chamar pra sair? Fingir que nada aconteceu? Estive fora do jogo durante muito tempo, e essas dúvidas me pareciam muito pertinentes. Chegando em casa me deparo com ele, o temido closet. Eu olhava para ele e me sentia culpado por ter dormido com Laura, enquanto meu passado ainda estava ali me prendendo. Decidi que não iria pra floricultura naquele dia, e nem nos próximos daquela semana. O cara que eu contratei pra tomar conta de lá na minha ausência era bem capacitado e iria cuidar de lá por mim nesses dias. Eu não sabia mesmo o que fazer, e então não faria nada. Não liguei para ela no primeiro dia, nem retornei suas cinco ligações nos dois dias que se seguiram. Não entrei no facebook, não dei sinal algum de vida, era como se eu estivesse isolado de tudo. Eu estava com medo de curar minhas feridas e perder meu norte, afinal de contas até mesmo uma dor pode ser um ponto de direção. Tinha enorme receio de me envolver outra vez, e aquilo estava me deixando impaciente. Pedi o rapaz para levar os papéis das contas para mim em casa, pra aliviá-lo um pouco lá na floricultura, e passei os dias trabalhando em casa, cuidando de papeladas, encomendas, fornecedores e afins. Até que na tarde de quinta, escuto alguém bater na porta. Achei muito estranho mas fui ver o que era, disconfiando ser o porteiro trazendo correspondência. Ledo engano. Ao abrir a porta, sou empurrado pra dentro por um furacão ruivo, chamado Laura. Ela fecha a porta, e começa a falar, esbravejar, e questionar o motivo de meu sumiço. Sem muito o que dizer, eu fiz a única coisa que poderia fazer naquele momento. Abraço-a e choro. Muito. Explico para ela meu problema em lidar com a perda de Jenny, e minha dificuldade em deixar o passado pra trás e seguir em frente. Deixo muito claro o quanto estou mexido por ela, o quanto ela tem me deixado inquieto e ansioso, e em como eu tenho me descoberto apaixonado por ela. "Em sua ausência, sua presença foi o que eu mais quis, de verdade.." eu arremato, olhando dentro daquela infinidade azul que eram seus olhos. Laura começa a chorar, e me abraça contando que já sabia da morte de Jenny, que a atendente da cafeteria contou para ela, mas que preferiu não dizer nada e esperar o momento em que eu me sentisse à vontade para contar. Eu lhe abraço forte, e digo baixinho que não quero perdê-la, e que faremos isso dar certo sozinhos, um pelo outro. Ela me diz que não precisamos de nada além de um ao outro, e que não importa qual seja a ferida, ela era meu remédio, minha cura. Inevitável, nos beijamos e fizemos amor naquele momento.
     No dia seguinte, acordamos envoltos por meus lençóis, e ela me pergunta, após um beijo de bom dia: "Se eu ficar deitada aqui, só ficar deitada aqui mesmo... você ficaria aqui comigo e se esqueceria do mundo todo lá fora?". Eu encaro seu rosto, que corara imediatamente ao me perguntar isso, e respondo: "Meu mundo nesse instante, tá situado nesses olhos azuis lindos que eu tô encarando agora. 'Eu te amo' é uma frase muito forte, e essas três palavras são ditas demais sem muitas vezes possuírem verdade nelas. Falta intensidade e veracidade nas palavras das pessoas, e eu quero lhe mostrar a verdade dos meus sentimentos à cada novo dia que passar. Então sim, eu me esqueceria do mundo pra ficar aqui com você.." eu digo, beijando-a e indo para o banho.
     
     E eu ainda precisava organizar aquele closet, definitivamente.


this is it.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

"Let It Be."

     Numa terça-feira de céu nublado Marina tem seu coração despedaçado, e a decepção toma conta da imensa sala de estar. Filha única, ela nunca havia passado por uma situação assim, nunca havia sido contrariada, e no fundo sabia que todo o mimo com que fora criada cedo ou tarde a colocaria em uma situação do tipo. Deitada em um sofá confortável e envolvida por almofadas, ela tenta entender o que fez ele ir embora, o que deu errado em seu conto de fadas. Ele disse "estou apaixonado por outra pessoa", e com cinco palavras quebrou toda uma idéia de perfeição formada na cabeça de Marina, fazendo com que ela soubesse naquele instante que este era um caminho sem volta.
     Depois de horas olhando para o nada, ela foi ao banheiro e lavou o rosto para apagar as lágrimas que derramou naquela tarde, embora o inchaço de seu rosto a denunciasse instantaneamente. Ficar em casa não ajudava em nada, então Marina decidiu sair para dar uma volta, hábito que perdeu durante os dois anos e meio em que esteve atrelada àquele garoto. Bem casual, de short e camiseta, ela desce a rua e vai caminhando para a praça, esperando encontrar alguém para lhe distrair de sua 'tragédia pessoal'. Virando a esquina, ela encontra Thiago, seu antigo colega de escola, com quem ela não conversava já havia algum tempo. Ao contrário do que acontece geralmente quando dois conhecidos se esbarram por aí, o "oi, tudo bem" se estendeu e ambos pararam para conversar, sem perceberem o quanto precisavam daquilo. Poucos minutos bastaram para que ela se abrisse, assim como fazem grande parte das pessoas fragilizadas. Durante quarenta minutos o rapaz escutou sobre como ela foi deixada pelo namorado, sobre como ela estava sofrendo, e por alguns instantes ele não reconheceu nela a garota que alguns rapazes descreviam como arrogante e prepotente. Ele via ali alguém frágil e exposta, precisando desabafar. Marina não sentia necessidade de tentar se mostrar superior, como sempre tentava com os demais, e naquela situação de cumplicidade ela reparou que algo nele estava diferente de antigamente. Thiago carregava um semblante triste, pesado, com um olhar desacreditado da vida, e ela instantaneamente percebeu que tinha de saber o motivo. "Você tá com um ar triste.. o que aconteceu?" Somente essa frase bastou para derrubar os muros com os quais ele se defendeu do mundo naqueles dias, muralhas que ele ergueu para tentar evitar que as pessoas vissem o quão frágil ele se encontrava diante daquela situação. Medindo as palavras, para evitar que o sentimento de pena tomasse conta de Marina, ele a explicou que seu pai falecera na semana anterior, vítima de um câncer no pâncreas, e que ele agora era o responsável por cuidar do irmão mais novo, acometido de paralisia infantil. Sua mãe foi embora muitos anos atrás, e ele sabia que ela não era uma pessoa com a qual se deva contar. Naquela tarde, Thiago tinha acabado de retornar do centro da cidade, após espalhar currículos por todas as lojas que encontrou, em busca de um meio de sustentar sua casa. "Já dizia o Paul, Let It Be..", dizia o rapaz algumas vezes durante a conversa, como quem repete muito algo para que ele próprio possa acreditar naquilo. Ele se via diante da maior tragédia que já havia lhe acontecido, procurando meios para se reerguer e lutar por si e por sua família. Apesar de ainda estar em choque, o rapaz carregava consigo uma vontade de seguir em frente e de dar a volta por cima tanto admirável quanto espantosa.
     Diante dele, uma estarrecida Marina se encontrava perdida em constatações, e agora ela percebia o quão egoísta e exagerada ela era. Por um desamor ela se julgou diante de uma perda irreparável, enquanto que aquele rapaz havia perdido tudo, e mesmo assim escutou-a antes de falar sobre seus problemas. Antes de desabafar, ele ouviu-a e em nenhum momento fez pouco caso, nem tentou comparar seu sofrimento com o dela. Sem fazer nada além do que exprimir suas emoções, Thiago ensinou para Marina uma lição gigantesca, a perceber as batalhas que cada um trava todos os dias em suas vidas, e em como as pessoas tem que ser gentis por conta disso, ser solidárias. Ela percebeu o quão só aquele rapaz se encontrava naquele momento, e durante algumas horas a fio, ela o escutou, aconselhou, o fez se sentir melhor. Ele a ensinou a ser uma pessoa melhor, ela queria ensiná-lo a não ser só, queria estar ali, e dar apoio.
     A noite cai, e Marina precisa ir para casa, pois o vento frio do inverno já se fazia presente, estava tarde. Um abraço de cumplicidade se segue, e ela sussura palávras sábias em seu ouvido, antes de ir embora: "Deixe estar.."



this is it.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

"We Are Young."


     "Sou do tempo em que.." é o começo preferido pelos mais velhos para se referirem aos seus melhores anos, e eu nunca entendi muito bem essa ânsia em relembrar o que se passou, até perceber o quão diferentes as coisas se tornam com o passar do tempo, e como é reconfortante buscar um "porto seguro" nas coisas do passado. Sou de uma das ultimas gerações - senão a última - a jogar bola na rua, marcando as 'traves' com chinelos, parando a toda hora para os carros passarem. Com 13 anos nossas preocupações consistiam em chegar rápido em casa para assistir Dragonball Z, e não em "sofrer por amor" como os adolescentes de hoje em dia. Vivemos a época anterior ao surgimento da expressão "bullying".. zoávamos, éramos zoados, encaravamos isso e não atrapalhou em nada nossa formação. Eram tempos mais sinceros, ao meu ver. Em tempos de eleições, não havia como escapar das Propagandas Políticas Obrigatórias, visto que a TV era o único entretenimento que havia. Claro, se você fosse um filho bonzinho e seus pais tivessem condições, poderia jogar videogame. Naquela época esses pequenos privilégios eran conquistados, não vinham de graça. Ninguém tinha "o rei na barriga", e tinhamos que conquistar a aprovação constante de nossos progenitores para podermos usufruir de certas coisas.
     

     Beijar era algo difícil na velha infância, bem ao contrário do que acontece hoje em dia, com essa garotada cada vez mais "pra frente". Nossa geração pegou o começo da internet, conectando só depois da meia-noite, escutando atentamente o barulinho da conexão sendo realizada e torcendo para "a internet estar boa hoje", para baixar UMA música. Para quem vive esses tempos de conexões cada vez mais rápidas, seria impensável uma época em que a conexão com a grande rede era discada, e em que baixar uma única música em mp3 se tornava uma tarefa hercúlea. Vivemos a emoção de mandar uma mensagem pelo msn e ficar esperando que ela chegasse, que a conexão 'ajudasse', e planejando o próximo passo a ser dado. Nesses tempos tudo era mais devagar, e realmente acredito que a paciência das pessoas hoje em dia se esvai com a mesma velocidade que as conexões de internet atingem ultimamente. Sou da geração que acordou de madrugada - coisa raríssima de acontecer naquela época - para assistir e torcer por Ronaldo e cia na Copa. Dormíamos mais, acordávamos mais cedo, e vivíamos mais, até. Em tempos que iphones e galaxys se multiplicam nas mãos dos jovens, eu me recordo de uma época onde nem celular havia.. engraçado, parece que esse período aconteceu mil anos atrás, e não à 8..
     

     É impossível fazer um julgamento de valores e apontar qual época é melhor, mas é delicioso saber que pude viver um período tão bom, e posso viver o agora.


this is it.

sábado, 23 de junho de 2012

"Quase Sem Querer."

"Who knows?"
O grande amor, a pessoa mais importante da sua vida, pode aparecer em qualquer lugar, a qualquer instante. Pode ser aquela garota encostada no pátio do colégio, deslocada e escutando Beatles enquanto as demais garotas riem cantando Tche tche rerê. Pode ser aquele cara baixinho e gordinho, com um coração gigantesco e pronto pra lhe levar aos céus com seu carinho e amor. Pode ser a amiga do amigo, a amiga da amiga, o colega da irmã do primo do vizinho. Pode ser o cara que acabou de aparecer, pode ser o cara que esteve a vida inteira por ali. Pode ser que alguém signifique tudo, e pode ser que signifique nada, tudo dependerá do modo como se olha. Pode ser a garota que você vai encontrar ao virar a esquina, pode ser a garota que você reencontra ao mudar de idéia e voltar de onde veio. Pode ser que essa pessoa seja alguém focado, paciente, decidido, e pode ser que a pessoa responsável por lhe causar palpitações e calafrios seja distraída, impaciente e indecisa. Pode ser que aconteça tudo como planejado, pode ser que aconteça tudo quase sem querer.  Pode ser que você encontre quem faça seu coração bater em descompasso amanhã, pode ser daqui a 6 meses, 3 anos.. é imprevisível, e não há fórmula exata para que algo dê certo. Grandes coisas acontecem com pessoas que se dispõe, que se deixam abertas para as imprevisibilidades da vida. Em se tratando de amor, tudo pode ser, tudo pode acontecer. A única certeza que temos, é que devemos tentar. Sem a tentativa, nada vira certeza, tudo permanece como dúvida. 


 

"Who knew?"


 

this is it.


terça-feira, 12 de junho de 2012

"Ainda é Cedo."

     Os anos 50 traziam consigo as expectativas dos jovens de ser a época que mudaria suas vidas. O mundo acabara de sair de uma de suas maiores desgraças, a guerra tresloucada de Hitler pela supremacia da raça ariana, culminando na estupidez ianque da bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki. Oriundos de uma época dominada pelo mais profundo caos, os jovens Roberto e Rita vislumbravam dias melhores nos anos que estavam por vir. Foi com esse sentimento, aliado ao nacionalismo que a Copa do Mundo em solo tupiniquim proporcionara, que ambos foram à estréia da Seleção contra os mexicanos, no Estádio do Maracanã. Ele não sabia, ela não fazia idéia, mas aquele dia mudaria suas vidas para sempre.
     Rita estava andando com sua amiga Carmem, à procura de um bom lugar na arquibancada para se sentar, quando de repente esbarra em Roberto, derramando nele o suco de laranja que acabara de comprar. "Com 87 mil pessoas no estádio, essa moça tinha que trombar justo em mim?", pensou o rapaz, que não tinha parado para observar como Rita era bela, e em como seus cabelos castanho-claro e levemente aloirados reluziam o brilho do sol. Logo, ao parar de contemplar o estrago que o suco fizera em sua calça nova e observar o rosto daquela moça, vermelha de tanta vergonha pelo que acabara de fazer, ele se esqueceu da aparência cômica que a mancha escura do tecido molhado aparentava e começou a observar o quão linda ela era. "Me desculpe, foi sem querer moço.." ela disse, quase que instantaneamente. Nunca estivera tão embaraçada assim na vida. "Não foi nada, com o calor que está fazendo nesse Rio de Janeiro, já já a calça seca.. sentem-se aqui, o jogo já começou e vocês vão acabar perdendo os melhores lances." respondeu Roberto, sendo cordial e se aproveitando da oportunidade para ter aquele retrato da perfeição por alguns momentos a mais. Carmém sentou-se ao lado de Rita e começou a cochichar coisas no ouvido da amiga. Ele não sabia, mas elas estavam comentando o quão encantador era o rapaz, com seu sorriso aberto e olhar penetrante. Comemoraram juntos os gols de Ademir, Jair e Baltazar, na vitória por 4x0 do Brasil sobre os mexicanos. No segundo gol de Ademir na partida, comemoraram juntos, e trocaram olhares enquanto pulavam e aplaudiam o atacante do Vasco da Gama. Fim de jogo, e o rapaz se compromete a levá-las em casa. "Faço questão", disse ele. Após alguns minutos de caminhada, os três descobrem que moram no mesmo bairro, cada um em uma rua diferente. Carmém é a primeira a ser deixada em casa, e antes de entrar , se despede da amiga com uma piscadela cúmplice, como quem quer dizer "Te dei a deixa, aproveite". Era fim de tarde, o Sol estava se pondo, e a noite já já iria chegar. A conversa de Roberto era agradabilíssima, e Rita ficava cada vez mais encantada com o modo como o rapaz enxergava a vida, com entusiasmo e otimismo. Ele ficava cada vez mais impressionado com a beleza e leveza que o sorriso dela transmitiam, e como o olhar dela denunciava uma inocência sem igual, como se pedissem "cuide de mim". Ele queria cuidar dela para sempre, queria protegê-la até ficarem velinhos, e desejava isso de todo o coração. Chegando à casa de Rita, os dois se despedem, e Roberto diz que vai aparecer no dia seguinte, um domingo, para tomarem sorvete juntos. Ela aceita, sem saber como disse "sim", já que estava mais nervosa do que jamais esteve na vida. Um abraço forte e cheio de significado marcou o final daquela tarde, que deixou ambos estremecidos. "Qual a razão para esse rapaz estar me deixando assim tão boba?" pensou ela, enquanto observou ele descendo a rua, cantarolando uma música alegre e assobiando..
     Num domingo como outro qualquer, o país respirava alegria, por conta do bom desempenho do escrete canarinho no gramado do Estádio do Maracanã. Os pais de Rita estão sentados na sala, escutando as notícias pelo rádio, quando Rita escuta as palmas vindo do lado de fora da casa. Era Roberto, chamando-a. "Ele veio mesmo.." pensou a garota, atônita. Antes que seus pais descobrissem que um rapaz estava na porta de casa esperando-a, ela diz que tem de se encontrar com Carmém e sai rapidamente, antes que façam muitas perguntas. "Oi... achei que você não fosse vir, rs" ela disse, ficando com as bochechas vermelhas, ganhando todo um charme. "Hmm bobinha.. eu sempre cumpro minhas promessas, nunca esqueça disso.. rs" respondeu ele, soltando aquele sorriso que tanto a encantara no dia anterior. Aquele domingo deixou-os com mais certeza ainda do que queriam, e Roberto não perdeu tempo. Esperou o próximo fim de semana para, com calma, conversar com os pais de Rita e pedir a mão dela em namoro. Após algumas horas de conversa com o novo sogro, tudo estava oficializado e eles poderiam namorar, sem se preocupar com o falatorio das vizinhas que tanto difamavam as garotas naquela época.
     Dessa forma foram se sucedendo os dias, os meses.. e a cumplicidade entre ambos só aumentava. As declarações de amor de parte a parte se sucediam aos montes, os planos juntos eram cada vez mais sérios, e um idealizava a vida já pensando no outro junto. "Veremos o Brasil ser campeão do mundo juntos" ele dizia. A perda da copa de 50 para o Uruguai deixou ambos muito tristes, pois foi no Estádio em que eles se conheceram, e no qual eles presenciam, in loco, ao uruguaio Ghiggia enterrar o sonho de milhares de brasileiros. Foi como um baque, um golpe para mostrar que nem tudo na vida era o sonho que eles imaginavam que fosse, como nas radionovelas que escutavam todos os dias. O tempo foi passando, a TV chegou ao Brasil, e os problemas no relacionamento começaram a aparecer na mesma velocidade com que Nino Farina guiava seu Alfa Romeo na conquista do título mundial de Fórmula 1. Ciúmes de parte a parte, pequenas disputas por ego, e imaturidade, faziam com que as brigas fossem frequentes. Ele se sentia quase escravizado, por fazer sempre as vontades dela, mas sempre soube que o modo como ela o tratava, tal qual um rei, compensaria aquilo tudo. Os planos continuavam a ser feitos, mas ambos não sabiam mais se acreditavam nas palavras que proferiam. Com a frequência cada vez maior das brigas, ambos acenderam "o sinal amarelo", e tentaram se frear nas palavras, mas não o suficiente. Ambos sabiam que não tinham mais ninguém a quem pudessem realmente querer se ligar além de um ao outro, mas os impulsos da juventude foram mais fortes.
     Numa tarde nublada de domingo, ambos disseram coisas que não deveriam jamais ser ditas por ninguém, e as consequências daquilo foram graves, foram implacáveis. Ela quis se afastar, ele jogou tudo para o alto.. ela disse que ainda era cedo para ficar daquele jeito, que ela era nova e queria ficar sozinha. E ele perguntava "Ainda é cedo?". Nunca é cedo pra se ligar à alguém que é pra vida inteira. Ele sabia disso, mas também sabia que não havia nada a ser dito. Ainda era cedo para ela entender isso, e ele não conseguiu cumprir com a promessa que fez a ela. O Brasil foi campeão do mundo em 1958 e ele escutou tudo de casa, sozinho, pelo rádio. Ela escutou, do quarto, o pai comemorando o feito de Pelé e cia, e as lembranças daquela tarde em que Ghiggia partiu os corações dos brasileiros vieram à tona. Algo está errado.. será que ainda é cedo, ou será que é tarde demais?

quinta-feira, 7 de junho de 2012

"Fórmula Mágica da Paz."

     Tudo aquilo que você viveu, todas as batalhas que travou, todas as  derrotas e vitórias, os fracassos e êxitos que obteve.. tudo isso fez de você o que é hoje e, por causa dessa miríade de possibilidades, ninguém jamais será igual a ninguém. O que seria de cada um de nós, sem aquela derrota dolorosa que vez ou outra nos vem à memória? Como teríamos aprendido em quem confiar, sem termos passado por alguma situação de quebra de confiança? Para algumas coisas na vida não há outra solução, não há nenhum 'atalho', senão viver. 
     Acho engraçado como as pessoas se atraem por 'manuais' ou 'fórmulas mágicas' das coisas.. fórmulas da felicidade, manual de como viver, fórmulas para esquecer amores antigos, manual do sei-lá-o-quê.. é muita sistematização de coisas que não precisam de muita definição. Em um de seus textos, certeiros e pontuais, sobre relacionamentos, Arnaldo Jabor disse: "Já dizia o poeta que amar se aprende amando. Assim, podemos aprender a amar nos relacionando." Isso resume tudo em nossas vidas. Eu poderia lhe dizer mil  fórmulas, mil conselhos pra "ensinar a ser feliz", mas cada um dos conselhos teria a profundidade e a solidez de uma poça d'água em uma rua esburacada. Frases feitas só servem para confortar, pra dar aquela falsa sensação de cumplicidade com outro alguém que 'passa pelo mesmo problema', mesmo que não seja o caso. É tudo sensação, e isso que conta.
     
finalidade: confortar.
 
     A vida é mímese, e aprender a viver é uma constante assimilação dos acontecimentos, seja como experienciador ou como observador. Já li uma frase que dizia que o esperto aprende errando, e o sábio aprende vendo o erro do outro.. isso resume tudo, eu acho. Logo, errar e acertar é apenas uma questão de tentativa, e cedo ou tarde se acerta. Ter medo de errar é um dos primeiros passos para o 'não acerto', seja na vida sentimental, ou profissional.
     Aquilo que não lhe mata, lhe torna um verdadeiro guerreiro ante as intempéries da vida. Cabe a cada um de nós dar tempo para as feridas cicatrizarem, e voltarmos ao campo de batalha ainda mais fortes.

this is it.

sábado, 28 de abril de 2012

"Todo mundo é uma ilha."

"Well it sucks to be honest
And it hurts to be real"
                                                         (John Mayer)

     Ilhas são abertas para tudo o que pode vir, se abrem para que barcos aportem em suas praias, sem nenhuma boa razão para tanto. Permitem pelo simples fato de esperarem o melhor de seus visitantes. Permitem por achar que as coisas sempre darão certo, independente do que todos os sinais da natureza ao seu redor possam dizer. Às vezes me sinto como uma ilha, cercada pelo imenso e desconhecido mar aberto.  Nunca sei quando o mar virá com suas ressacas e destroçar-me com suas ondas avassaladoras, deixando aquele rastro de sua passagem pela orla da praia. Nunca sei quando uma tempestade tropical recairá sobre mim, devastando tudo que foi construído, tudo que foi batalhado e conquistado contra as armadilhas da natureza. Todo esse desconhecimento acerca do que pode vir me faz afastar mais e mais do continente à cada dia que passa, e se antes fazia parte de um arquipélago, hoje caminho a passos largos para me tornar uma 'ilha no meio do nada'. Como evitar esse 'rumo natural das coisas'? Como evitar o distanciamento do mundo, quando tudo que ele oferece são tempestades e tsunamis?
     Cada um de nós é uma ilha, e ao estarmos juntos das pessoas podemos formar belíssimos arquipélagos, mais fortes e resistentes ante as intempéries da vida. Mas como nem só do mar vem o perigo, terremotos podem nos abalar a qualquer momento, e separar as ilhas umas das outras, fazendo com que gradualmente elas se distanciem, e aí que mora o problema. Como ter forças para combater todos os acontecimentos que nos fazem distanciar, como resistir e lutar para que possamos permanecer unidos e fortes? Com o acúmulo de tempestades, terremotos e furacões em nossas vidas, nossas 'ilhas pessoais', nos distanciamos tanto do resto do mundo que passamos a viver sós, sem acharmos possível que um dia retornemos à companhia de 'outra ilha', e que não possamos obter a 'felicidade compartilhada'..
     Ilha, todo mundo é uma ilha. Mas ninguém quer ser apenas uma ilha. Todos querem montar um arquipélago, e compartilharem felicidade. Alegria sem ser compartilhada, não é alegria de verdade. A gente tenta se esquecer, mas todo mundo é uma ilha...

"but you find yourself alone..."

this is it.

domingo, 15 de abril de 2012

"You've Got To Hide Your Love Away.."

     As trocas de olhares que ocorriam todos os dias entre Carter e Diana eram discretas, mas intensas. Trabalharem juntos, se darem tão bem, e se irritarem tanto, fazia com que um burburinho sobre os dois terem algo corresse mais e mais no escritório. Seus chefes faziam vista grossa, mas todos ali percebiam que algo na relação entre os dois não era 'estritamente profissional'. Diana tinha o hábito de irritar Carter diariamente, e as "discussões de brincadeira" de ambos eram situações corriqueiras, de modo que sem aquilo ambos julgavam que algo não estava 'normal'. Carter tinha por costume sempre tentar corrigir o que Diana estava fazendo, só pelo prazer de vê-la franzir a testa e apertar os olhos cor de mel, com expressão de irritada, o que só a tornava mais linda. O riso corria solto por ali, e mesmo tentando, nenhum dos dois conseguia ficar distante, era dificil demais, e uma sensação de 'vazio' permanecia ali quando um estava sem o outro. Aquela situação indefinida vinha se arrastando já a alguns meses, e o pobre Carter não sabia o que fazer para conseguir quebrar as barreiras que ele mesmo se impunha, pelo simples fato de seu coração bater acelerado por aquela garota de cabelos longos e sorriso explêndido. Diana permanecia sempre naquela "zona de conforto", que de confortável não tem nada, em que não sabia se arriscava o que já tinham por algo maior, ou se continuava como estava. Ela era marcada por diversas decepções ao longo de sua vida, diversos caras surgiram e não fizeram por ela o que ela merecia, não cuidaram dela como ela gostaria e, quanto mais ela se envolvia com alguém, mais se decepcionava. Daí vinha o medo dela em arriscar algo tão 'certo' quanto a relação que ela tinha com Carter, em troca de uma tentativa de ser feliz com ele, o cara que mais a entendia no planeta. Em seu quarto, num pequeno prédio da cidade, Carter se perguntava o que fazer... traçava planos, construía dialogos, analisava possibilidades, pensava em todas as maneiras de conseguir quebrar tudo aquilo que lhe impedia de retirar Diana de seu 'casulo de proteção' em relação a ele, e torná-la feliz como jamais havia sido em sua vida.Sua sexta feira à noite se consumiu em pensamentos.
     Eis que chega o final de semana, e a empresa que ambos trabalham promove uma confraternização em um rancho belíssimo, com vários campos gramados, árvores por todo o lado, chalés, tudo de mais belo e rústico que possa haver. Diana estende uma toalha de piquenique vermelha e branca no gramado, mais clichê impossível, e senta-se com Carter para conversarem enquanto comem as iguarias servidas pela equipe do rancho. "Vida" e as pérolas da semana eram os assuntos 'obrigatórios', os quais tornavam as risadas frequentes. As risadas, e também as trocas de olhares. A tarde ia se findando, o por-do-sol ia se aproximando, e entre folhagens, bolos e Carter, Diana adormece. Em seus sonhos, ela relembra do dia em que um assaltante invadiu o escritório, e Carter foi o único no local a não correr, a não deitar no chão em desespero, nem se esconder, enquanto ela estava sob a mira da arma do lunático. O modo como ele se desprendeu de tudo por ela, tinha mexido com suas idéias, e aquilo estava invadindo até seus sonhos, de maneira inesperada. Acordado, o rapaz observa o sono da garota que o deixa tão parecido com um garoto de 15 anos, fato que o deixara inquieto por diversas vezes. A hora em que o sol se põe enfim chega, e sob o brilho daquele Sol já se despedindo, Diana acorda, e se depara com Carter admirando-a.. o Astro Rei ilumina o rosto de ambos, e sua luz mostra aquilo que por meses já se desenhava.. a percepção de que um olhar diz muito mais do que qualquer palavra pode dizer, é sentida..  os olhares de ambos se fitam, se encaram, se contemplam...
 até que então, a felicidade acontece...


























































































































































                                                                                                                                           this is it.

sábado, 24 de março de 2012

"Clichê"

     Jantar à luz de velas. Deitar na praia pra observar as estrelas, sendo iluminados pelo brilho do luar. Rosas vermelhas. Aquele beijo demorado, depois de terem se despedido, quando ela já está fechando a porta. O final das ligações em que ninguém consegue nem quer desligar. A troca de olhares quando 'aquela música' toca em algum lugar por perto. O frio na barriga segundos antes de se encontrar com 'aquela pessoa'. Aquele 'não ter o que dizer', que na verdade diz tudo. Todos nós já experimentamos alguns desses clichês, vivenciamos estas situações fantásticas, em que nada mais parece importar realmente, e que tudo parece encaixar e fazer sentido.
     Certa vez li em algum lugar que se clichês existem até hoje, é porque funcionam. E faz todo o sentido, pois não consigo achar chatas nenhuma das situações ditas acima, e creio que a maioria esmagadora das pessoas concorda comigo. Acho que poucas coisas na vida são tão deliciosas como um passeio de mãos dadas num domingo de sol, assistir um filminho debaixo do cobertor, entre outros lugares-comuns...

dê uma olhada pra essa foto, e você entenderá do que eu estou dizendo:



Tudo tem dois lados, tem o bom e o ruim, e com clichês as coisas não são diferentes. Estamos vivendo a geração das frases de Caio Fernando Abreu e Clarice Lispector em redes sociais. Frases suas - e às vezes nem suas são, mas atribuem-nas a eles - são postadas por todos os lados no mundo virtual, de modo que ambos viraram 'clichês de auto-ajuda', morada daqueles que na ânsia por alguma indireta, por alguma frase triste, recorrem à imagem demasiadamente explorada de CFA e Clarice para poderem expor suas frustrações. Externar ao mundo seus fracassos não é, e nem será nunca, uma forma inteligente de superá-los. "Amores" que terminam-voltam-terminam-voltam-terminam-voltam, por comodismo e não por sentimento, machucam mais as pessoas do que qualquer outra coisa, e são exemplos claros de clichês negativos, que só atrasam a vivência dos 'clichês bons' na vida das pessoas. Cada segundo disperdiçado tentando reclamar e murmurar contra o que aconteceu de ruim na vida, é um segundo a menos de esforço na tentativa de construir algo realmente eterno.

quem conhece de verdade a obra dos dois, fica indignado com o uso impróprio de suas frases por aí. 



this is it.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

"Paradise."

     Hana era apenas uma garota, que no alto de seus 16 anos, esperava muito da vida, tinha planos, projetos, e viu seu mundo ruir quando sua mãe, Firdaws, morreu vitimada por um raríssimo tumor no cérebro. Lidar com a perda de algúem que era 'seu norte', sua fonte de inspiração, é algo que pode mexer com a vida de qualquer pessoa, porém Hana foi forte e segurou as pontas com seu pai, o comerciante Dawud, nessa hora tão dificil. Imediatamente ele decide então voltar ao seu país natal, a Síria, para viver junto de seus pais. Hana nasceu no Brasil e jamais tinha ido para esse País, terra de toda sua parentela, e considerava tal mudança como algo aterrador. A garota, porém, viu que essa era a melhor alternativa para seu amado pai, que não aceitava a morte de sua amada esposa, e concordou em se mudarem para a província de Damasco. 
     Os dias se sucedem, a papelada para a mudança de País fica pronta e a caminho do aeroporto, Dawud começa a contar para Hana a história de como ele e Firdaws se conheceram, já no Brasil, descobriram terem origem na mesma cidade na Síria, e imediatamente se apaixonaram e casaram. O embarque acontece, o avião parte rumo ao seu destino, Hana adormece sob os ombros do pai, e seus sonhos a levam imediatamente a pensar em sua mãe, cujo nome remete ao jardim mais alto do paraíso, e ali, enquanto dormia, a vida não parecia tão dura e tudo era perfeito.
     Dawud e Hana chegam ao seu destino, e são recebidos com festa por seus parentes. A garota ainda não sabia muito bem onde se encaixava em todo aquele contexto, naquela família que jamais conhecera e com que nunca convivera, naquele país de que só tinha notícias pelos telejornais do Brasil, naquela cultura tão diferente de sua terra natal, enfim, Hana estava perdida, perdida e sonhando com a perfeição que era sua vida em seus sonhos.
     A vida continua, e às vezes ela fica mais pesada do que achamos ser possível. Toda a vida que ela idealizara para si, tinha voado para fora do seu alcance e a única coisa que ela podia fazer era se reerguer e começar uma nova vida, tirando forças de onde aparentemente não tinha, pois é isso que as pessoas devem fazer quando tem seus sonhos destroçados pelas particularidades da vida. Dawud abriu uma mercearia em Damasco com a ajuda de sua família, e Hana cuidava da loja junto dele. As coisas tomavam um rumo inesperado na vida da garota que, em três meses, deixou de ser uma adolescente cujos maiores problemas eram as roupas que iria vestir para sair, e se tornou uma mulher 'arranhada' pela vida, mas forte o suficiente para recomeçar a vida ao lado do pai no outro lado do mundo. Em seu quarto, deitada em sua cama, ela chorava vez ou outra, lembrando de sua mãe. Em cada lágrima, uma cachoeira de lembranças flui, e sob uma noite turbulenta e chuvosa lá fora, ela adormece e sonha novamente com o Jardim mais alto do Paraíso, e naquela noite tempestuosa, ela voava para seu próprio mundo de sonhos..
     Os dias passam, os negócios de seu pai vão se tornando lucrativos, e Dawud passa a viajar cada vez mais através das provincias da Síria para abrir lojas novas e com isso, Hana fica cada vez mais na mercearia em Damasco. Um jovem adentra a mercearia e imediatamente chama a atenção da garota, que passa a acompanhar seus movimentos até chegar ao balcão e começar a conversar com ela. O rapaz revela seu nome a ela, Farid, e a conversa flui de maneira muito natural, uma vez que o rapaz é, assim como ela, oriundo do Brasil. O jovem combina com Hana de encontrar com ela quando chegar o final da tarde e a mercearia fechar, e assim, quando chega a hora, ela fecha a loja e ambos vão em direção a uma praça que fica no alto do morro Haidat, e sentam-se embaixo de uma grande árvore para conversarem. Ambos contam sua história um para o outro, e sentem uma cumplicidade assustadora dominar o ambiente. Hana questiona-o qual a razão para sua vida passar por tantas mudanças em tão pouco tempo, e ele lhe responde: "Meu avô costuma dizer que às vezes o Sol deve se pôr para poder levantar depois. Então fica tranquila que se você tem passado por momentos dificeis ultimamente, em breve você pode mudar de rota, e seu Sol novamente se colocar a brilhar..."
     Os olhos de Hana se enchem de lágrimas nesse instante, e ela dá um abraço doce e sincero em Farid, o rapaz que chegou do nada, e lhe deu naquela tarde ensolarada a mesma sensação de perfeição paradisíaca que seus sonhos lhe davam.. e então, ela fechou os olhos e aquele gesto singelo de cumplicidade significava o paraíso para ela..

this is it. (até agora, rs.)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

"Sereníssima."

     O otimismo dominava a vida no vilarejo de Pedra Molhada, e a vida por lá era repleta de sonhos, planos, e muita felicidade. A colheita era farta, as pessoas eram prósperas e os problemas praticamente inexistiam, pois o otimismo com que cada um dos habitantes encaravam a vida, transformava 'tsunâmis em marolas' a todo instante. As crianças brincavam pela praça e se deliciavam com algodões-doces ao final da tarde, conversando com um divertido senhor que vendia as guloseimas aos infantes. Ao cair da noite as familias se reuniam em seus lares, e se sentavam em frente à lareira, para conversar sobre o quão boa a vida era, e em como eles não conseguiam ver outra maneira de viver e ser. 
     O tempo foi no entanto, passando, e uma praga recaiu sobre as plantações do vilarejo, e o equilibrio que ali havia foi desfeito, com os agricultores ficando sem ter como manter seu sustento, desencadeando um "efeito dominó" na alegria de cada um ali, pois as dificuldades se tornaram muito grandes para aquele povo. As crianças já não podiam mais brincar na praça, pois deviam trabalhar com os pais para ajudarem no sustento do lar, o vendedor de algodão-doce não tinha mais com quem conversar e a quem divertir, e as reuniões de fim de noite frente à lareira não aconteciam mais, pois todos chegavam em casa extenuados pelo trabalho, indo dormir rapidamente. O otimismo que cada um conservava sempre consigo foi murchando, frente às decepções que a vida vinha lhes impondo, e pouco a pouco o pessimismo começou a trabalhar ali naquele lugar. Os dias agora eram cinzas, os sonhos de cada um deles estavam se desfazendo pouco a pouco, os planos eram desfeitos diariamente, em nome de outras 'prioridades'.. 
     Até que em um belo dia, chega ao vilarejo um grupo de artistas circenses itinerantes,  dispostos a alegrar todo aquele lugar, que havia sido drasticamente afetado pelas constantes mudanças que a vida lhes impôs. Palhaços, trapezistas, equilibristas, todos vieram para mostrar sua arte aos habitantes de Pedra Molhada, e trouxeram consigo muito mais que isso, trouxeram toda uma maneira de enxergar a vida, de encarar as situações impostas à elas.. o circo chegou àquela cidade para mostrar como a vida não era só preta ou branca, como não era só 'ser otimista ou pessimista', que podia haver um equilibrio nos sentimentos, tornando a vida cada vez mais humana.. e pela primeira vez em muito tempo, ninguém esperava 'só o bom ou só o ruim', mas esperavam por um misto de sensações, de maneiras de encarar a vida.. pela primeira vez em muito tempo, os habitantes de Pedra Molhada experimentavam o que é viver..

this is it.

Quem sou eu

Minha foto
não sabe de nada, mas acha sobre muita coisa. pensa sobre tudo, o tempo todo. repara em tudo, o tempo todo. acima de qualquer coisa, é um otimista incorrigível. não se apega a estereótipos, e acredita ser essa uma de suas maiores qualidades. prefere um sorriso bonito a um corpo escultural, e um olhar sincero em detrimento de qualquer noitada homérica. não pretende ser e nem inveja o 'estilo charlie sheen' de vida, em absoluto. quer agradá-lo? cite Los Hermanos, The Killers ou Charlie Brown Jr. quer desafiá-lo? jogue a carta +4 no UNO e aguente o revide. hahaha. a estrada vai além do que se vê. nunca se esqueça. :)

followers.