quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

"Paradise."

     Hana era apenas uma garota, que no alto de seus 16 anos, esperava muito da vida, tinha planos, projetos, e viu seu mundo ruir quando sua mãe, Firdaws, morreu vitimada por um raríssimo tumor no cérebro. Lidar com a perda de algúem que era 'seu norte', sua fonte de inspiração, é algo que pode mexer com a vida de qualquer pessoa, porém Hana foi forte e segurou as pontas com seu pai, o comerciante Dawud, nessa hora tão dificil. Imediatamente ele decide então voltar ao seu país natal, a Síria, para viver junto de seus pais. Hana nasceu no Brasil e jamais tinha ido para esse País, terra de toda sua parentela, e considerava tal mudança como algo aterrador. A garota, porém, viu que essa era a melhor alternativa para seu amado pai, que não aceitava a morte de sua amada esposa, e concordou em se mudarem para a província de Damasco. 
     Os dias se sucedem, a papelada para a mudança de País fica pronta e a caminho do aeroporto, Dawud começa a contar para Hana a história de como ele e Firdaws se conheceram, já no Brasil, descobriram terem origem na mesma cidade na Síria, e imediatamente se apaixonaram e casaram. O embarque acontece, o avião parte rumo ao seu destino, Hana adormece sob os ombros do pai, e seus sonhos a levam imediatamente a pensar em sua mãe, cujo nome remete ao jardim mais alto do paraíso, e ali, enquanto dormia, a vida não parecia tão dura e tudo era perfeito.
     Dawud e Hana chegam ao seu destino, e são recebidos com festa por seus parentes. A garota ainda não sabia muito bem onde se encaixava em todo aquele contexto, naquela família que jamais conhecera e com que nunca convivera, naquele país de que só tinha notícias pelos telejornais do Brasil, naquela cultura tão diferente de sua terra natal, enfim, Hana estava perdida, perdida e sonhando com a perfeição que era sua vida em seus sonhos.
     A vida continua, e às vezes ela fica mais pesada do que achamos ser possível. Toda a vida que ela idealizara para si, tinha voado para fora do seu alcance e a única coisa que ela podia fazer era se reerguer e começar uma nova vida, tirando forças de onde aparentemente não tinha, pois é isso que as pessoas devem fazer quando tem seus sonhos destroçados pelas particularidades da vida. Dawud abriu uma mercearia em Damasco com a ajuda de sua família, e Hana cuidava da loja junto dele. As coisas tomavam um rumo inesperado na vida da garota que, em três meses, deixou de ser uma adolescente cujos maiores problemas eram as roupas que iria vestir para sair, e se tornou uma mulher 'arranhada' pela vida, mas forte o suficiente para recomeçar a vida ao lado do pai no outro lado do mundo. Em seu quarto, deitada em sua cama, ela chorava vez ou outra, lembrando de sua mãe. Em cada lágrima, uma cachoeira de lembranças flui, e sob uma noite turbulenta e chuvosa lá fora, ela adormece e sonha novamente com o Jardim mais alto do Paraíso, e naquela noite tempestuosa, ela voava para seu próprio mundo de sonhos..
     Os dias passam, os negócios de seu pai vão se tornando lucrativos, e Dawud passa a viajar cada vez mais através das provincias da Síria para abrir lojas novas e com isso, Hana fica cada vez mais na mercearia em Damasco. Um jovem adentra a mercearia e imediatamente chama a atenção da garota, que passa a acompanhar seus movimentos até chegar ao balcão e começar a conversar com ela. O rapaz revela seu nome a ela, Farid, e a conversa flui de maneira muito natural, uma vez que o rapaz é, assim como ela, oriundo do Brasil. O jovem combina com Hana de encontrar com ela quando chegar o final da tarde e a mercearia fechar, e assim, quando chega a hora, ela fecha a loja e ambos vão em direção a uma praça que fica no alto do morro Haidat, e sentam-se embaixo de uma grande árvore para conversarem. Ambos contam sua história um para o outro, e sentem uma cumplicidade assustadora dominar o ambiente. Hana questiona-o qual a razão para sua vida passar por tantas mudanças em tão pouco tempo, e ele lhe responde: "Meu avô costuma dizer que às vezes o Sol deve se pôr para poder levantar depois. Então fica tranquila que se você tem passado por momentos dificeis ultimamente, em breve você pode mudar de rota, e seu Sol novamente se colocar a brilhar..."
     Os olhos de Hana se enchem de lágrimas nesse instante, e ela dá um abraço doce e sincero em Farid, o rapaz que chegou do nada, e lhe deu naquela tarde ensolarada a mesma sensação de perfeição paradisíaca que seus sonhos lhe davam.. e então, ela fechou os olhos e aquele gesto singelo de cumplicidade significava o paraíso para ela..

this is it. (até agora, rs.)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

"Sereníssima."

     O otimismo dominava a vida no vilarejo de Pedra Molhada, e a vida por lá era repleta de sonhos, planos, e muita felicidade. A colheita era farta, as pessoas eram prósperas e os problemas praticamente inexistiam, pois o otimismo com que cada um dos habitantes encaravam a vida, transformava 'tsunâmis em marolas' a todo instante. As crianças brincavam pela praça e se deliciavam com algodões-doces ao final da tarde, conversando com um divertido senhor que vendia as guloseimas aos infantes. Ao cair da noite as familias se reuniam em seus lares, e se sentavam em frente à lareira, para conversar sobre o quão boa a vida era, e em como eles não conseguiam ver outra maneira de viver e ser. 
     O tempo foi no entanto, passando, e uma praga recaiu sobre as plantações do vilarejo, e o equilibrio que ali havia foi desfeito, com os agricultores ficando sem ter como manter seu sustento, desencadeando um "efeito dominó" na alegria de cada um ali, pois as dificuldades se tornaram muito grandes para aquele povo. As crianças já não podiam mais brincar na praça, pois deviam trabalhar com os pais para ajudarem no sustento do lar, o vendedor de algodão-doce não tinha mais com quem conversar e a quem divertir, e as reuniões de fim de noite frente à lareira não aconteciam mais, pois todos chegavam em casa extenuados pelo trabalho, indo dormir rapidamente. O otimismo que cada um conservava sempre consigo foi murchando, frente às decepções que a vida vinha lhes impondo, e pouco a pouco o pessimismo começou a trabalhar ali naquele lugar. Os dias agora eram cinzas, os sonhos de cada um deles estavam se desfazendo pouco a pouco, os planos eram desfeitos diariamente, em nome de outras 'prioridades'.. 
     Até que em um belo dia, chega ao vilarejo um grupo de artistas circenses itinerantes,  dispostos a alegrar todo aquele lugar, que havia sido drasticamente afetado pelas constantes mudanças que a vida lhes impôs. Palhaços, trapezistas, equilibristas, todos vieram para mostrar sua arte aos habitantes de Pedra Molhada, e trouxeram consigo muito mais que isso, trouxeram toda uma maneira de enxergar a vida, de encarar as situações impostas à elas.. o circo chegou àquela cidade para mostrar como a vida não era só preta ou branca, como não era só 'ser otimista ou pessimista', que podia haver um equilibrio nos sentimentos, tornando a vida cada vez mais humana.. e pela primeira vez em muito tempo, ninguém esperava 'só o bom ou só o ruim', mas esperavam por um misto de sensações, de maneiras de encarar a vida.. pela primeira vez em muito tempo, os habitantes de Pedra Molhada experimentavam o que é viver..

this is it.

Quem sou eu

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não sabe de nada, mas acha sobre muita coisa. pensa sobre tudo, o tempo todo. repara em tudo, o tempo todo. acima de qualquer coisa, é um otimista incorrigível. não se apega a estereótipos, e acredita ser essa uma de suas maiores qualidades. prefere um sorriso bonito a um corpo escultural, e um olhar sincero em detrimento de qualquer noitada homérica. não pretende ser e nem inveja o 'estilo charlie sheen' de vida, em absoluto. quer agradá-lo? cite Los Hermanos, The Killers ou Charlie Brown Jr. quer desafiá-lo? jogue a carta +4 no UNO e aguente o revide. hahaha. a estrada vai além do que se vê. nunca se esqueça. :)

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