sexta-feira, 29 de junho de 2012

"We Are Young."


     "Sou do tempo em que.." é o começo preferido pelos mais velhos para se referirem aos seus melhores anos, e eu nunca entendi muito bem essa ânsia em relembrar o que se passou, até perceber o quão diferentes as coisas se tornam com o passar do tempo, e como é reconfortante buscar um "porto seguro" nas coisas do passado. Sou de uma das ultimas gerações - senão a última - a jogar bola na rua, marcando as 'traves' com chinelos, parando a toda hora para os carros passarem. Com 13 anos nossas preocupações consistiam em chegar rápido em casa para assistir Dragonball Z, e não em "sofrer por amor" como os adolescentes de hoje em dia. Vivemos a época anterior ao surgimento da expressão "bullying".. zoávamos, éramos zoados, encaravamos isso e não atrapalhou em nada nossa formação. Eram tempos mais sinceros, ao meu ver. Em tempos de eleições, não havia como escapar das Propagandas Políticas Obrigatórias, visto que a TV era o único entretenimento que havia. Claro, se você fosse um filho bonzinho e seus pais tivessem condições, poderia jogar videogame. Naquela época esses pequenos privilégios eran conquistados, não vinham de graça. Ninguém tinha "o rei na barriga", e tinhamos que conquistar a aprovação constante de nossos progenitores para podermos usufruir de certas coisas.
     

     Beijar era algo difícil na velha infância, bem ao contrário do que acontece hoje em dia, com essa garotada cada vez mais "pra frente". Nossa geração pegou o começo da internet, conectando só depois da meia-noite, escutando atentamente o barulinho da conexão sendo realizada e torcendo para "a internet estar boa hoje", para baixar UMA música. Para quem vive esses tempos de conexões cada vez mais rápidas, seria impensável uma época em que a conexão com a grande rede era discada, e em que baixar uma única música em mp3 se tornava uma tarefa hercúlea. Vivemos a emoção de mandar uma mensagem pelo msn e ficar esperando que ela chegasse, que a conexão 'ajudasse', e planejando o próximo passo a ser dado. Nesses tempos tudo era mais devagar, e realmente acredito que a paciência das pessoas hoje em dia se esvai com a mesma velocidade que as conexões de internet atingem ultimamente. Sou da geração que acordou de madrugada - coisa raríssima de acontecer naquela época - para assistir e torcer por Ronaldo e cia na Copa. Dormíamos mais, acordávamos mais cedo, e vivíamos mais, até. Em tempos que iphones e galaxys se multiplicam nas mãos dos jovens, eu me recordo de uma época onde nem celular havia.. engraçado, parece que esse período aconteceu mil anos atrás, e não à 8..
     

     É impossível fazer um julgamento de valores e apontar qual época é melhor, mas é delicioso saber que pude viver um período tão bom, e posso viver o agora.


this is it.

sábado, 23 de junho de 2012

"Quase Sem Querer."

"Who knows?"
O grande amor, a pessoa mais importante da sua vida, pode aparecer em qualquer lugar, a qualquer instante. Pode ser aquela garota encostada no pátio do colégio, deslocada e escutando Beatles enquanto as demais garotas riem cantando Tche tche rerê. Pode ser aquele cara baixinho e gordinho, com um coração gigantesco e pronto pra lhe levar aos céus com seu carinho e amor. Pode ser a amiga do amigo, a amiga da amiga, o colega da irmã do primo do vizinho. Pode ser o cara que acabou de aparecer, pode ser o cara que esteve a vida inteira por ali. Pode ser que alguém signifique tudo, e pode ser que signifique nada, tudo dependerá do modo como se olha. Pode ser a garota que você vai encontrar ao virar a esquina, pode ser a garota que você reencontra ao mudar de idéia e voltar de onde veio. Pode ser que essa pessoa seja alguém focado, paciente, decidido, e pode ser que a pessoa responsável por lhe causar palpitações e calafrios seja distraída, impaciente e indecisa. Pode ser que aconteça tudo como planejado, pode ser que aconteça tudo quase sem querer.  Pode ser que você encontre quem faça seu coração bater em descompasso amanhã, pode ser daqui a 6 meses, 3 anos.. é imprevisível, e não há fórmula exata para que algo dê certo. Grandes coisas acontecem com pessoas que se dispõe, que se deixam abertas para as imprevisibilidades da vida. Em se tratando de amor, tudo pode ser, tudo pode acontecer. A única certeza que temos, é que devemos tentar. Sem a tentativa, nada vira certeza, tudo permanece como dúvida. 


 

"Who knew?"


 

this is it.


terça-feira, 12 de junho de 2012

"Ainda é Cedo."

     Os anos 50 traziam consigo as expectativas dos jovens de ser a época que mudaria suas vidas. O mundo acabara de sair de uma de suas maiores desgraças, a guerra tresloucada de Hitler pela supremacia da raça ariana, culminando na estupidez ianque da bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki. Oriundos de uma época dominada pelo mais profundo caos, os jovens Roberto e Rita vislumbravam dias melhores nos anos que estavam por vir. Foi com esse sentimento, aliado ao nacionalismo que a Copa do Mundo em solo tupiniquim proporcionara, que ambos foram à estréia da Seleção contra os mexicanos, no Estádio do Maracanã. Ele não sabia, ela não fazia idéia, mas aquele dia mudaria suas vidas para sempre.
     Rita estava andando com sua amiga Carmem, à procura de um bom lugar na arquibancada para se sentar, quando de repente esbarra em Roberto, derramando nele o suco de laranja que acabara de comprar. "Com 87 mil pessoas no estádio, essa moça tinha que trombar justo em mim?", pensou o rapaz, que não tinha parado para observar como Rita era bela, e em como seus cabelos castanho-claro e levemente aloirados reluziam o brilho do sol. Logo, ao parar de contemplar o estrago que o suco fizera em sua calça nova e observar o rosto daquela moça, vermelha de tanta vergonha pelo que acabara de fazer, ele se esqueceu da aparência cômica que a mancha escura do tecido molhado aparentava e começou a observar o quão linda ela era. "Me desculpe, foi sem querer moço.." ela disse, quase que instantaneamente. Nunca estivera tão embaraçada assim na vida. "Não foi nada, com o calor que está fazendo nesse Rio de Janeiro, já já a calça seca.. sentem-se aqui, o jogo já começou e vocês vão acabar perdendo os melhores lances." respondeu Roberto, sendo cordial e se aproveitando da oportunidade para ter aquele retrato da perfeição por alguns momentos a mais. Carmém sentou-se ao lado de Rita e começou a cochichar coisas no ouvido da amiga. Ele não sabia, mas elas estavam comentando o quão encantador era o rapaz, com seu sorriso aberto e olhar penetrante. Comemoraram juntos os gols de Ademir, Jair e Baltazar, na vitória por 4x0 do Brasil sobre os mexicanos. No segundo gol de Ademir na partida, comemoraram juntos, e trocaram olhares enquanto pulavam e aplaudiam o atacante do Vasco da Gama. Fim de jogo, e o rapaz se compromete a levá-las em casa. "Faço questão", disse ele. Após alguns minutos de caminhada, os três descobrem que moram no mesmo bairro, cada um em uma rua diferente. Carmém é a primeira a ser deixada em casa, e antes de entrar , se despede da amiga com uma piscadela cúmplice, como quem quer dizer "Te dei a deixa, aproveite". Era fim de tarde, o Sol estava se pondo, e a noite já já iria chegar. A conversa de Roberto era agradabilíssima, e Rita ficava cada vez mais encantada com o modo como o rapaz enxergava a vida, com entusiasmo e otimismo. Ele ficava cada vez mais impressionado com a beleza e leveza que o sorriso dela transmitiam, e como o olhar dela denunciava uma inocência sem igual, como se pedissem "cuide de mim". Ele queria cuidar dela para sempre, queria protegê-la até ficarem velinhos, e desejava isso de todo o coração. Chegando à casa de Rita, os dois se despedem, e Roberto diz que vai aparecer no dia seguinte, um domingo, para tomarem sorvete juntos. Ela aceita, sem saber como disse "sim", já que estava mais nervosa do que jamais esteve na vida. Um abraço forte e cheio de significado marcou o final daquela tarde, que deixou ambos estremecidos. "Qual a razão para esse rapaz estar me deixando assim tão boba?" pensou ela, enquanto observou ele descendo a rua, cantarolando uma música alegre e assobiando..
     Num domingo como outro qualquer, o país respirava alegria, por conta do bom desempenho do escrete canarinho no gramado do Estádio do Maracanã. Os pais de Rita estão sentados na sala, escutando as notícias pelo rádio, quando Rita escuta as palmas vindo do lado de fora da casa. Era Roberto, chamando-a. "Ele veio mesmo.." pensou a garota, atônita. Antes que seus pais descobrissem que um rapaz estava na porta de casa esperando-a, ela diz que tem de se encontrar com Carmém e sai rapidamente, antes que façam muitas perguntas. "Oi... achei que você não fosse vir, rs" ela disse, ficando com as bochechas vermelhas, ganhando todo um charme. "Hmm bobinha.. eu sempre cumpro minhas promessas, nunca esqueça disso.. rs" respondeu ele, soltando aquele sorriso que tanto a encantara no dia anterior. Aquele domingo deixou-os com mais certeza ainda do que queriam, e Roberto não perdeu tempo. Esperou o próximo fim de semana para, com calma, conversar com os pais de Rita e pedir a mão dela em namoro. Após algumas horas de conversa com o novo sogro, tudo estava oficializado e eles poderiam namorar, sem se preocupar com o falatorio das vizinhas que tanto difamavam as garotas naquela época.
     Dessa forma foram se sucedendo os dias, os meses.. e a cumplicidade entre ambos só aumentava. As declarações de amor de parte a parte se sucediam aos montes, os planos juntos eram cada vez mais sérios, e um idealizava a vida já pensando no outro junto. "Veremos o Brasil ser campeão do mundo juntos" ele dizia. A perda da copa de 50 para o Uruguai deixou ambos muito tristes, pois foi no Estádio em que eles se conheceram, e no qual eles presenciam, in loco, ao uruguaio Ghiggia enterrar o sonho de milhares de brasileiros. Foi como um baque, um golpe para mostrar que nem tudo na vida era o sonho que eles imaginavam que fosse, como nas radionovelas que escutavam todos os dias. O tempo foi passando, a TV chegou ao Brasil, e os problemas no relacionamento começaram a aparecer na mesma velocidade com que Nino Farina guiava seu Alfa Romeo na conquista do título mundial de Fórmula 1. Ciúmes de parte a parte, pequenas disputas por ego, e imaturidade, faziam com que as brigas fossem frequentes. Ele se sentia quase escravizado, por fazer sempre as vontades dela, mas sempre soube que o modo como ela o tratava, tal qual um rei, compensaria aquilo tudo. Os planos continuavam a ser feitos, mas ambos não sabiam mais se acreditavam nas palavras que proferiam. Com a frequência cada vez maior das brigas, ambos acenderam "o sinal amarelo", e tentaram se frear nas palavras, mas não o suficiente. Ambos sabiam que não tinham mais ninguém a quem pudessem realmente querer se ligar além de um ao outro, mas os impulsos da juventude foram mais fortes.
     Numa tarde nublada de domingo, ambos disseram coisas que não deveriam jamais ser ditas por ninguém, e as consequências daquilo foram graves, foram implacáveis. Ela quis se afastar, ele jogou tudo para o alto.. ela disse que ainda era cedo para ficar daquele jeito, que ela era nova e queria ficar sozinha. E ele perguntava "Ainda é cedo?". Nunca é cedo pra se ligar à alguém que é pra vida inteira. Ele sabia disso, mas também sabia que não havia nada a ser dito. Ainda era cedo para ela entender isso, e ele não conseguiu cumprir com a promessa que fez a ela. O Brasil foi campeão do mundo em 1958 e ele escutou tudo de casa, sozinho, pelo rádio. Ela escutou, do quarto, o pai comemorando o feito de Pelé e cia, e as lembranças daquela tarde em que Ghiggia partiu os corações dos brasileiros vieram à tona. Algo está errado.. será que ainda é cedo, ou será que é tarde demais?

quinta-feira, 7 de junho de 2012

"Fórmula Mágica da Paz."

     Tudo aquilo que você viveu, todas as batalhas que travou, todas as  derrotas e vitórias, os fracassos e êxitos que obteve.. tudo isso fez de você o que é hoje e, por causa dessa miríade de possibilidades, ninguém jamais será igual a ninguém. O que seria de cada um de nós, sem aquela derrota dolorosa que vez ou outra nos vem à memória? Como teríamos aprendido em quem confiar, sem termos passado por alguma situação de quebra de confiança? Para algumas coisas na vida não há outra solução, não há nenhum 'atalho', senão viver. 
     Acho engraçado como as pessoas se atraem por 'manuais' ou 'fórmulas mágicas' das coisas.. fórmulas da felicidade, manual de como viver, fórmulas para esquecer amores antigos, manual do sei-lá-o-quê.. é muita sistematização de coisas que não precisam de muita definição. Em um de seus textos, certeiros e pontuais, sobre relacionamentos, Arnaldo Jabor disse: "Já dizia o poeta que amar se aprende amando. Assim, podemos aprender a amar nos relacionando." Isso resume tudo em nossas vidas. Eu poderia lhe dizer mil  fórmulas, mil conselhos pra "ensinar a ser feliz", mas cada um dos conselhos teria a profundidade e a solidez de uma poça d'água em uma rua esburacada. Frases feitas só servem para confortar, pra dar aquela falsa sensação de cumplicidade com outro alguém que 'passa pelo mesmo problema', mesmo que não seja o caso. É tudo sensação, e isso que conta.
     
finalidade: confortar.
 
     A vida é mímese, e aprender a viver é uma constante assimilação dos acontecimentos, seja como experienciador ou como observador. Já li uma frase que dizia que o esperto aprende errando, e o sábio aprende vendo o erro do outro.. isso resume tudo, eu acho. Logo, errar e acertar é apenas uma questão de tentativa, e cedo ou tarde se acerta. Ter medo de errar é um dos primeiros passos para o 'não acerto', seja na vida sentimental, ou profissional.
     Aquilo que não lhe mata, lhe torna um verdadeiro guerreiro ante as intempéries da vida. Cabe a cada um de nós dar tempo para as feridas cicatrizarem, e voltarmos ao campo de batalha ainda mais fortes.

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Quem sou eu

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não sabe de nada, mas acha sobre muita coisa. pensa sobre tudo, o tempo todo. repara em tudo, o tempo todo. acima de qualquer coisa, é um otimista incorrigível. não se apega a estereótipos, e acredita ser essa uma de suas maiores qualidades. prefere um sorriso bonito a um corpo escultural, e um olhar sincero em detrimento de qualquer noitada homérica. não pretende ser e nem inveja o 'estilo charlie sheen' de vida, em absoluto. quer agradá-lo? cite Los Hermanos, The Killers ou Charlie Brown Jr. quer desafiá-lo? jogue a carta +4 no UNO e aguente o revide. hahaha. a estrada vai além do que se vê. nunca se esqueça. :)

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