domingo, 22 de julho de 2012

Chasing Cars. #

     Eu precisava organizar aquele closet, definitivamente. Desde que ela se foi, ninguém limpou ou espanou nada ali, nem colocou nada no lugar. Era um lugar proibido aos demais, amigos ou eventuais empregados, ninguém podia chegar ali senão eu, e por isso foi tudo ficando espalhado. Fotos, papéis, CDs, tudo fora de onde deveria estar. Também pudera, quem sempre organizou tudo ali foi ela. Ah sim, ela. A simples lembrança de Jennifer afligia meu coração de maneira colossal, e isso era de uma ironia sem igual, visto que durante anos foi ela o motivo de meus mais sinceros sorrisos. Foi, até o dia em que se tornou minha maior e mais profunda ferida, naquele dia que jamais me saiu da memória. O dia em que um Zafira atravessou o sinal vermelho e atingiu ela em seu pequeno Ford Ka, voltando do almoço pra trabalhar à tarde em nossa floricultura. Uma batida estúpida, uma morte mais estúpida ainda. Somente o lado em que ela estava no carro foi danificado, ao passo que minha vida como um todo fora afetada por aquela imbecilidade. "Ela morreu na hora senhor, não sentiu dor alguma. Eu sinto muito.." foi o que o socorrista me falou, naqueles instantes de profundo pavor em que eu me encontrava. Era difícil me manter de pé com meu mundo ruindo ao redor, e com o passar dos meses minha dor cada vez mais me aprisionava numa redoma invisível, me afastando pouco a pouco do mundo exterior. Eu precisava dela, esperava por ela voltando para casa no fim do dia, trazendo doces da Fábrica de Doces Brasil para nos deliciarmos enquanto assistíamos alguma comédia do Adam Sandler. Pequenos prazeres que me faziam muita falta, e sem os quais eu jamais me imaginei viver. Quando se encontra alguém como eu encontrei Jennifer, corre-se o risco de não saber mais viver com as próprias pernas, sem a pessoa ao lado. É uma merda essa dependência, mas é assim que as coisas são. A organização do closet era apenas mais uma das coisas que eu jamais fiz sem ela. Não sabia por onde começar a arrumação e o simples fato de ver que tudo ali estava daquele jeito me reconfortava, me trazia seu sorriso na memória, suas broncas quando ela via que eu mantinha muita coisa inútil guardada ali, entulhando tudo e superlotando o espaço. Decidi ir juntando tudo por etapas e comecei pelos CDs, que estavam todos espalhados e correndo risco de serem quebrados. Embaixo de uma pilha de capas estava ele, o "Ventura" do Los Hermanos, que ela me deu no nosso 3º aniversário de namoro, em uma viagem para o Sul do país, inesquecível. Cada coisa que eu recolhia  no chão do closet continha uma parte da nossa história, um fragmento de memórias maravilhosas, e era difícil evitar a contemplação do passado enquanto colocava tudo em seu lugar. Escondido por alguns papéis estava o "Abbey Road" dos Beatles, com o qual eu a presenteei no primeiro dia dos namorados que passamos juntos, durante um jantarzinho em minha casa no qual eu toquei "Something" no violão para ela. Seus olhos brilhando de felicidade ainda me vinham à memória vez ou outra, sempre de maneira especial. Percebi que aquela missão não poderia ser executada de uma só vez, não poderia simplesmente chegar e guardar tudo, trancafiar todas as memórias em uma caixa e ir embora. Arrumar o closet era um rito de passagem, e eu precisava passar por aquilo calmamente, por mais que fosse demorado e dolorido. Não poderia fugir da dor, porque foi amor e sendo assim, sempre iria doer. Com o passar do tempo ela seria menor, mas ainda estaria ali. 
     Tomar um café me pareceu uma idéia interessante, e desci para a rua rumo à cafeteria que havia na esquina. Em um sábado nublado e seco, lá estava eu andando pela rua de bermuda e camisa xadrez, cabelo desgrenhado e barba por fazer. Me sentei na mesa ao fundo da cafeteria, e pedi um cappuccino com bolo de laranja. Era nosso pedido costumeiro ali naquele lugar, e viver cercado por lembranças de minha vida antes do desastre começava a me perturbar. Folheando o jornal enquanto esperava meu pedido, noto uma garota chegando no balcão. Ela vestia um jeans e uma camisa do Foo Fighters e por isso de cara já ganhou minha simpatia, traduzida por um "oi, tudo bem?" amistoso enquanto ela passa por mim e se senta na mesa ao lado, com seu expresso. A garota abre um exemplar de Ilíada e começa a ler enquanto toma seu café, e eu não conseguia parar de olhar para ela, sem entender o motivo. Pensei em ir até sua mesa e puxar papo, mas sabia que seria deselegante da minha parte, além de que me era estranha a idéia de ir até ela, uma vez que ainda me sentia ligado à Jennifer. "Melhor ir embora", resolvi, sem ao menos saber o nome da moça. O dia estava passando, e eu teria que passar na floricultura ainda, para fechar o caixa e fechar a loja. Desde que Jenny se foi, tive de colocar um funcionário para trabalhar nos turnos em que eu não estivesse. Nosso negócio juntos era um sonho que havia se realizado, e agora tudo caiu no meu colo sem eu saber direito se estava pronto para aquilo tudo. Enquanto conferia contas, pedidos e entregas, o tempo passava e eu não pensava em mais nada que não aquilo. O trabalho era sem dúvida, um remédio valoroso para a cicatrização das feridas. Já estava na hora de fechar a loja, mas eu resolvi me abaixar para organizar algumas rosas que estavam em um vaso próximo ao chão, e enquanto isso ouço a porta da loja sendo aberta. Escuto uma voz feminina do outro lado da estante procurando alguém para atendê-la. Levanto-me e me surpreendo ao notar que era a garota com camisa do Foo Fighters que estava na cafeteria duas horas antes. "Oi, acho que nos vimos hoje já né, rs. Em que posso ajudar?" eu disse, ligeiramente sem graça. "É verdade, você estava lá na cafeteria hoje né.. mas foi embora logo depois que eu cheguei, rs. Estou precisando de violetas, me mudei para um apartamento na rua de trás, e tô afim de dar uma alegrada no ambiente.." ela me responde, solícita. Começamos a conversar sobre flores, eu ajudo-a a escolher as melhores para sua casa, e ela vai me contando de sua vinda para meu bairro, bem como sua conturbada vida profissional. Seu nome era Laura, e ela era fotógrafa freelancer.. profissão instável, mas segundo ela, muito realizadora. Seu entusiasmo ao falar de fotografia era contagiante, e em poucos minutos passamos de violetas e orquídeas para Matt Hardy e Ansel Adams. Sem nos darmos conta, a hora passou voando e já eram quase 15h, hora em que nenhum restaurante está aberto pelo bairro. Nenhum de nós havia almoçado, e pelo relógio, teríamos que ir para nossas casas pra comer. Fechei a loja, nos despedimos e marquei com ela de ir entregar os arranjos com as violetas em sua casa no domingo à noite. Nos despedimos e em seguida me bate uma sensação estranha, fazia muito tempo que eu não conversava com outra mulher assim. Minha vida com Jenny me satisfazia e ela era minha melhor amiga, conversávamos sobre tudo e por isso a idéia de outra garota batendo papo comigo, me era ainda algo diferente. Já em casa, volto para o closet, outra vez mergulhando no passado e me dedicando a organizá-lo, para pouco a pouco me libertar das amarras que as lembranças se tornavam. Eu não fazia idéia de que tínhamos tirado tantas fotos quanto as que eu estava organizando naquelas caixas. Era muita coisa, e eu evitava olhar muito para não me perder em pensamentos. Às vezes Jenny se fazia presente só de eu olhar seu rosto em alguns retratos, e eu ficava divagando durante algum tempo, fazendo as vezes de falante e ouvinte, como se ela ainda estivesse ali. Deveria ser proibido alguém partir depois de acostumar outra pessoa à estar com ela. Se eu fosse eleito para algum cargo público, creio que esse seria um de meus primeiros decretos, seguidos do que proibiria que acordássemos antes das 10h, rs. 
A noite chegara, e eu me pego deitado no sofá, assistindo um filme de comédia enquanto comia uma bacia de pipocas. Junto do dueto Miojo & Ovo, esse era o cardápio que eu sabia fazer, então tratei de aproveitar. Laura não me saía da cabeça, seu papo agradável, sua fala arrastada e quase cantada, eram alguns dos detalhes dela que eu pude reparar. Já fazia muito tempo que eu não reparava tanto em alguém, e essa constatação me deu medo: a última garota que reparei tanto, fora Jennifer. Após alguns minutos, o cansaço me vence e durmo com a Tv ligada, e com o chão coberto por pipocas que caíram da bacia quando peguei no sono.


     Nessa cidade de clima imprevisível, não haveria como advinhar que de um sábado nublado e seco, eu acordaria em um domingo de céu azul e Sol pegando. Coisas de Juiz de Fora, nem tente entender. Após organizar a bagunça que deixei na sala, fui almoçar, para depois ir pra floricultura me dedicar aos arranjos de Laura, já que deveria levá-los prontos logo à noite. Depois de algum trabalho, finalmente estava tudo pronto, e ela continuava sem sair da minha cabeça, fato que me causou apreensão. O relógio já iria apontar 18h, e tava na hora de me aprontar pra ir entregar as violetas. Eu normalmente não entregava nada aos domingos, sempre deixava para a segunda, mas aquela garota merecia ser a exceção. Cheguei em seu prédio e toco o interfone. "Oi Laura, é o João.. o da floricultura, lembra? Vim trazer suas violetas.." eu disse, apreensivo. "Claro João, tava te esperando já.. sobe aí.." ela respondeu, com uma voz aparentemente alegre. Ao abrir a porta pra mim, ela diz, ficando corada: "Eu tava com medo de você não vir, sei lá né.. sua namorada poderia encrencar de você vir trazer violetas pra uma garota em pleno domingo.. e eu precisava muito delas, tava achando esse lugar muito triste.." e tímidamente eu respondo "rs, eu não tenho namorada.. gostou dos arranjos então né?" e vou me despedindo para ir embora. Eu estava nervoso como há muito tempo não ficava, e ela segura em meu braço dizendo calmamente: "Espera, você acabou de chegar, queria conversar um pouco.. desde que cheguei aqui você é a única visita que eu recebi."
Ao olhar para aqueles olhos azuis cor de piscina, não tive como recusar o pedido e me sentei. Ela estava linda, com sua camiseta do Pink Floyd e seu short jeans. Não havia nada nela que eu gostaria de mudar. Seus cabelos ruivos, seu sorriso enigmático, seu jeito de rir das minhas piadas.. acho que com todo mundo é assim né, à primeira vista todo mundo é perfeito e indefectível. Ela vai à cozinha e volta de lá com duas taças e uma garrafa de vinho tinto, e nos serve. O papo assim como no dia anterior, flui de maneira incrível e as horas passam num piscar de olhos. A garrafa de vinho estava na metade, e eu resolvi guardá-la para não bebermos demais nem perdermos o controle. Já era tarde da noite, e eu estranhava o fato de estar gostando de estar ali, conversando com ela e descobrindo mais da vida daquela garota, conhecendo suas particularidades e contando as minhas. Em um primeiro momento eu evito contar de Jenny, e noto que foi uma decisão acertada. Tudo tem seu tempo para acontecer, e ali não seria a hora de contar de minha maior ferida. Nunca se expõe tão cedo, nem se revela as fragilidades de maneira tão fácil. Ela resolve colocar um CD para escutarmos enquanto conversávamos sobre assuntos tão variados quanto política e culinária japonesa. Snow Patrol toma conta do ambiente, que pouco a pouco vai ficando mais aconchegante e aproximador, até que um beijo entre nós finalmente acontece e durante algum tempo ficamos ali, nos beijando e compartilhando de um momento único. Eu acabo dormindo ali, e vou embora no dia seguinte, sem saber muito bem o que iria fazer a partir daquilo. Eu deveria ligar pra ela depois? Chamar pra sair? Fingir que nada aconteceu? Estive fora do jogo durante muito tempo, e essas dúvidas me pareciam muito pertinentes. Chegando em casa me deparo com ele, o temido closet. Eu olhava para ele e me sentia culpado por ter dormido com Laura, enquanto meu passado ainda estava ali me prendendo. Decidi que não iria pra floricultura naquele dia, e nem nos próximos daquela semana. O cara que eu contratei pra tomar conta de lá na minha ausência era bem capacitado e iria cuidar de lá por mim nesses dias. Eu não sabia mesmo o que fazer, e então não faria nada. Não liguei para ela no primeiro dia, nem retornei suas cinco ligações nos dois dias que se seguiram. Não entrei no facebook, não dei sinal algum de vida, era como se eu estivesse isolado de tudo. Eu estava com medo de curar minhas feridas e perder meu norte, afinal de contas até mesmo uma dor pode ser um ponto de direção. Tinha enorme receio de me envolver outra vez, e aquilo estava me deixando impaciente. Pedi o rapaz para levar os papéis das contas para mim em casa, pra aliviá-lo um pouco lá na floricultura, e passei os dias trabalhando em casa, cuidando de papeladas, encomendas, fornecedores e afins. Até que na tarde de quinta, escuto alguém bater na porta. Achei muito estranho mas fui ver o que era, disconfiando ser o porteiro trazendo correspondência. Ledo engano. Ao abrir a porta, sou empurrado pra dentro por um furacão ruivo, chamado Laura. Ela fecha a porta, e começa a falar, esbravejar, e questionar o motivo de meu sumiço. Sem muito o que dizer, eu fiz a única coisa que poderia fazer naquele momento. Abraço-a e choro. Muito. Explico para ela meu problema em lidar com a perda de Jenny, e minha dificuldade em deixar o passado pra trás e seguir em frente. Deixo muito claro o quanto estou mexido por ela, o quanto ela tem me deixado inquieto e ansioso, e em como eu tenho me descoberto apaixonado por ela. "Em sua ausência, sua presença foi o que eu mais quis, de verdade.." eu arremato, olhando dentro daquela infinidade azul que eram seus olhos. Laura começa a chorar, e me abraça contando que já sabia da morte de Jenny, que a atendente da cafeteria contou para ela, mas que preferiu não dizer nada e esperar o momento em que eu me sentisse à vontade para contar. Eu lhe abraço forte, e digo baixinho que não quero perdê-la, e que faremos isso dar certo sozinhos, um pelo outro. Ela me diz que não precisamos de nada além de um ao outro, e que não importa qual seja a ferida, ela era meu remédio, minha cura. Inevitável, nos beijamos e fizemos amor naquele momento.
     No dia seguinte, acordamos envoltos por meus lençóis, e ela me pergunta, após um beijo de bom dia: "Se eu ficar deitada aqui, só ficar deitada aqui mesmo... você ficaria aqui comigo e se esqueceria do mundo todo lá fora?". Eu encaro seu rosto, que corara imediatamente ao me perguntar isso, e respondo: "Meu mundo nesse instante, tá situado nesses olhos azuis lindos que eu tô encarando agora. 'Eu te amo' é uma frase muito forte, e essas três palavras são ditas demais sem muitas vezes possuírem verdade nelas. Falta intensidade e veracidade nas palavras das pessoas, e eu quero lhe mostrar a verdade dos meus sentimentos à cada novo dia que passar. Então sim, eu me esqueceria do mundo pra ficar aqui com você.." eu digo, beijando-a e indo para o banho.
     
     E eu ainda precisava organizar aquele closet, definitivamente.


this is it.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

"Let It Be."

     Numa terça-feira de céu nublado Marina tem seu coração despedaçado, e a decepção toma conta da imensa sala de estar. Filha única, ela nunca havia passado por uma situação assim, nunca havia sido contrariada, e no fundo sabia que todo o mimo com que fora criada cedo ou tarde a colocaria em uma situação do tipo. Deitada em um sofá confortável e envolvida por almofadas, ela tenta entender o que fez ele ir embora, o que deu errado em seu conto de fadas. Ele disse "estou apaixonado por outra pessoa", e com cinco palavras quebrou toda uma idéia de perfeição formada na cabeça de Marina, fazendo com que ela soubesse naquele instante que este era um caminho sem volta.
     Depois de horas olhando para o nada, ela foi ao banheiro e lavou o rosto para apagar as lágrimas que derramou naquela tarde, embora o inchaço de seu rosto a denunciasse instantaneamente. Ficar em casa não ajudava em nada, então Marina decidiu sair para dar uma volta, hábito que perdeu durante os dois anos e meio em que esteve atrelada àquele garoto. Bem casual, de short e camiseta, ela desce a rua e vai caminhando para a praça, esperando encontrar alguém para lhe distrair de sua 'tragédia pessoal'. Virando a esquina, ela encontra Thiago, seu antigo colega de escola, com quem ela não conversava já havia algum tempo. Ao contrário do que acontece geralmente quando dois conhecidos se esbarram por aí, o "oi, tudo bem" se estendeu e ambos pararam para conversar, sem perceberem o quanto precisavam daquilo. Poucos minutos bastaram para que ela se abrisse, assim como fazem grande parte das pessoas fragilizadas. Durante quarenta minutos o rapaz escutou sobre como ela foi deixada pelo namorado, sobre como ela estava sofrendo, e por alguns instantes ele não reconheceu nela a garota que alguns rapazes descreviam como arrogante e prepotente. Ele via ali alguém frágil e exposta, precisando desabafar. Marina não sentia necessidade de tentar se mostrar superior, como sempre tentava com os demais, e naquela situação de cumplicidade ela reparou que algo nele estava diferente de antigamente. Thiago carregava um semblante triste, pesado, com um olhar desacreditado da vida, e ela instantaneamente percebeu que tinha de saber o motivo. "Você tá com um ar triste.. o que aconteceu?" Somente essa frase bastou para derrubar os muros com os quais ele se defendeu do mundo naqueles dias, muralhas que ele ergueu para tentar evitar que as pessoas vissem o quão frágil ele se encontrava diante daquela situação. Medindo as palavras, para evitar que o sentimento de pena tomasse conta de Marina, ele a explicou que seu pai falecera na semana anterior, vítima de um câncer no pâncreas, e que ele agora era o responsável por cuidar do irmão mais novo, acometido de paralisia infantil. Sua mãe foi embora muitos anos atrás, e ele sabia que ela não era uma pessoa com a qual se deva contar. Naquela tarde, Thiago tinha acabado de retornar do centro da cidade, após espalhar currículos por todas as lojas que encontrou, em busca de um meio de sustentar sua casa. "Já dizia o Paul, Let It Be..", dizia o rapaz algumas vezes durante a conversa, como quem repete muito algo para que ele próprio possa acreditar naquilo. Ele se via diante da maior tragédia que já havia lhe acontecido, procurando meios para se reerguer e lutar por si e por sua família. Apesar de ainda estar em choque, o rapaz carregava consigo uma vontade de seguir em frente e de dar a volta por cima tanto admirável quanto espantosa.
     Diante dele, uma estarrecida Marina se encontrava perdida em constatações, e agora ela percebia o quão egoísta e exagerada ela era. Por um desamor ela se julgou diante de uma perda irreparável, enquanto que aquele rapaz havia perdido tudo, e mesmo assim escutou-a antes de falar sobre seus problemas. Antes de desabafar, ele ouviu-a e em nenhum momento fez pouco caso, nem tentou comparar seu sofrimento com o dela. Sem fazer nada além do que exprimir suas emoções, Thiago ensinou para Marina uma lição gigantesca, a perceber as batalhas que cada um trava todos os dias em suas vidas, e em como as pessoas tem que ser gentis por conta disso, ser solidárias. Ela percebeu o quão só aquele rapaz se encontrava naquele momento, e durante algumas horas a fio, ela o escutou, aconselhou, o fez se sentir melhor. Ele a ensinou a ser uma pessoa melhor, ela queria ensiná-lo a não ser só, queria estar ali, e dar apoio.
     A noite cai, e Marina precisa ir para casa, pois o vento frio do inverno já se fazia presente, estava tarde. Um abraço de cumplicidade se segue, e ela sussura palávras sábias em seu ouvido, antes de ir embora: "Deixe estar.."



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Quem sou eu

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não sabe de nada, mas acha sobre muita coisa. pensa sobre tudo, o tempo todo. repara em tudo, o tempo todo. acima de qualquer coisa, é um otimista incorrigível. não se apega a estereótipos, e acredita ser essa uma de suas maiores qualidades. prefere um sorriso bonito a um corpo escultural, e um olhar sincero em detrimento de qualquer noitada homérica. não pretende ser e nem inveja o 'estilo charlie sheen' de vida, em absoluto. quer agradá-lo? cite Los Hermanos, The Killers ou Charlie Brown Jr. quer desafiá-lo? jogue a carta +4 no UNO e aguente o revide. hahaha. a estrada vai além do que se vê. nunca se esqueça. :)

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