terça-feira, 24 de setembro de 2013

Fragments of time..

Era uma terça-feira de um dia nublado de agosto, e lá estava eu, na sala de aula e sentado em uma cadeira almofadada azul que fazia barulhos a cada movimento meu nela. Olhando ao redor, eu enxergava meus colegas escrevendo páginas e mais páginas nos rascunhos, enquanto eu me encontrava em estado de aparente “letargia mental”, por assim dizer. Bom, acho que esqueci de me apresentar, então você não deve estar entendendo nada por aqui.. pois bem, sou João Paulo, me encontro no quinto ano da faculdade de Psicologia, e não havia estudado nenhum dos capítulos demarcados para a avaliação que se encontrava diante de mim. Olhava para as janelas, que me mostravam operários trabalhando ao fundo na construção dos prédios novos; para as questões da prova que tanto me transtornavam naquele instante; para minha caneta com a carga de tinta pela metade; para o tamborilar de dedos da professora em sua mesa enquanto nos fiscalizava, ansiosa por encontrar algum aluno tentando ludibriá-la e colar em sua prova. Olhava para tudo, sem enxergar nada. 
Nunca fui um aluno número 1 da turma, tampouco o pior. Sempre estive na média, sem nunca me esforçar para nada, nem me preocupar com nada. Mas nesse dia foi diferente, algo nessa prova me atordoou como nunca antes em minha vida acadêmica. Freud e Jung estavam fazendo minha cabeça revirar, e eu tentava assimilar este golpe enquanto encarava aquela bendita prova.



Fechei os olhos, e tentei me concentrar para relembrar algo das aulas a que assisti e não dormi na carteira. Sim, vida universitária faz isso com as pessoas, acredite. Após alguns minutos, a escuridão proporcionada por meus olhos fechados deram lugar a um clarão intenso e, ao abrir meus olhos, me deparo com minha escrivaninha, com a mesma luminária azul e sua lâmpada queimada, meu pôster dos Beatles levemente torto na parede acima da cama – algo um tanto quanto estranho, uma vez que eu o havia arrumado logo que acordei para ir fazer a prova – e o notebook ligado com o navegador aberto no facebook. Ao olhar para a data do relógio na tela do aparelho, constatei que a data era do dia anterior, e então tudo se encaixou: por mais surreal que pudesse parecer, eu havia voltado no tempo! Foi então que comecei a raciocinar, e peguei os capítulos da prova para poder estudar, já que ela ainda não havia ocorrido. Estava um pouco desorientado, mas ainda assim segui em frente. Madrugada adentro eu segui estudando, e no dia seguinte, consegui realizar a prova corretamente. Voltei para casa, e ao chegar na cozinha fui preparar um vitamina. Colocando rapidamente a maçã picada com o leite no liquidificador, não percebi que havia encaixado incorretamente o copo do mesmo na base. Ao ligá-lo, vi o copo cair rodando derramando a vitamina por toda a pia de granito, recaindo sobre os azulejos branco-gelo. Eu havia provocado uma grande bagunça  ali, então fechei os olhos, e quando os abri de novo, estava chegando em casa da prova novamente. Dessa vez com calma preparei a vitamina e encaixei corretamente o liquidificador. Pronto, tudo ocorrera de forma certa dessa vez. Percebi que podia voltar no tempo toda vez que errava algo. Num primeiro momento, achei aquilo maravilhoso. poderia viver praticamente sem errar. Quando isso acontecesse, era só fechar os olhos e pronto, mais uma chance de fazer tudo certo. Os dias foram se passando, de maneira muito rápida diante de meus olhos. Em um piscar deles, eu já me encontrava de frente com Marina, a garota com a qual eu namorara durante toda a faculdade mas com a qual havia terminado sem mais nem menos no fim do último semestre. Voltando no tempo todas as vezes em que dizia algo errado em nossa conversa para então falar as palavras certas, eu consegui tê-la de volta. Mais uma piscadela de olhos e pronto, lá estava eu dizendo as palavras certas para o senhorio da sala que eu estava alugando para abrir meu consultório. Eu não me pareço nem um pouco com Adam Sandler, por qual motivo estaria eu vivendo uma versão de “Click” abaixo do Equador? Fechei meus olhos com preocupação, sabia que aquilo não estava certo, sob nenhum aspecto. De repente, o clarão de outrora surge novamente cegando e ao abrir os olhos, me encontro mais uma vez na mesma cadeira almofadada azul, rangendo a cada movimento meu. Dessa vez foi um rangido mais forte, já que pulei de susto na cadeira ao constatar que havia voltado para a mesma terça-feira nublada, com a mesma prova e com o mesmo problema de não haver estudado nada para ela. A professora inclusive me olhou severamente, acho que ela suspeitou que eu estivesse pretendendo colar, rs.

Foi então que entendi o propósito de tudo aquilo. Eu jamais havia saído daquela cadeira, nem voltado no tempo, ou reatado com a Marina. Ainda estava no quinto ano de Psicologia e a milhas e milhas de distância de montar meu próprio consultório. Mas tudo então se clareou para mim. Não há como voltar no tempo, tampouco viver uma vida infalível.. são nossos erros que nos fazem amadurecer e nos tornam pessoas melhores e preparadas para as dificuldades que podem e devem surgir ao longo da vida. Podemos nos preparar para errarmos menos, mas uma vida livre deles, infelizmente – ou não – é algo utópico. Depois de tamanha reflexão, tive de me ater aos problemas mais urgentes: a prova ainda estava ali, faltavam apenas dez minutos para o tempo acabar, e eu não havia escrito nada além de meu nome na folha. É, eu ainda estava encrencado.

this is it.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Vícios & Virtudes.




     Alexandre nunca foi um cara fácil de se entender. Nasceu pobre, mas não nasceu otário, e por toda sua vida foi uma constante contradição. Suas letras sempre retrataram tão bem aquilo com o qual ele tinha maior dificuldade em lidar: vida, família, amor. Ele não era mesmo o senhor do tempo, mas desde novo buscou seu lugar ao sol, jogando tudo pro alto quando achava necessário, pagando o preço de suas escolhas erradas e sempre buscando um recomeço. Do skatista revoltado do início de carreira surgiu um poeta, cuja obra se encontra no mural invisível da eternidade. Alexandre conheceu o lixo e o luxo, os altos e baixos de uma vida cercada de conflitos internos, com os quais aquele homem que via o mundo com olhos de criança não sabia lidar. Mesmo tentando fugir, após algum tempo ele buscou ser levado à sério, encarar a responsa de ser quem é, e foi de encontro aos seus problemas mais terríveis. Sem medo de se expor, Alexandre se colocou no olho do furacão em suas composições, e se fez um símbolo de toda uma geração. Talvez sem saber o tamanho que adquiria com o passar dos anos, e o quanto significava para milhares de pessoas, ele continuou vivendo sua vida, para ser feliz e não para viver em vão. A tenacidade com que defendia o amor e a busca incessante por este, sempre foi algo de se orgulhar. Como ele dizia, uma vida sem amor é uma vida sem sentido. Alexandre sempre teve coragem para viver, passar pelos dias de luta com a mesma paixão que passava pelos dias de glória, sempre querendo encontrar, ou ser encontrado, pelo amor. O amor que encontrou e não soube cuidar, infelizmente. Como ele mesmo escreveu certa vez, só Deus sabe quanto tempo que o tempo deve levar, e esse tempo ele próprio não soube esperar. Seus dias incríveis e seus dias difíceis passaram a se misturar e sua vida entrou em um beco sem saída. Aquele que sempre viveu pra ser feliz e não pra ser comum, não sabia como lidar com os problemas cada vez maiores. "Nossas escolhas vão dizer pra onde iremos", disse ele certa vez. Novamente certo. Novamente vítima de suas próprias palavras. Alexandre sempre disse aquilo que ele mesmo precisava ouvir. Talvez se tivesse feito isso, sua vida teria tido  outro rumo, do qual só os loucos podem saber. Encontrar o amor sem perder a razão foi uma constante busca desse ser humano forte por fora, mas uma criança frágil por dentro. Um homem-menino que não sabia lidar com as próprias imperfeições, mas que não deixava nunca o medo cegar os próprios sonhos.      Nem tão complicado demais, mas não tão simples assim. O jovem Alexandre Magno foi sempre algo além dessa visão dicotômica das pessoas em 'boas ou ruins'. Ele esteve à parte disso, sempre na terceira margem desse rio infinito chamado raça humana, sempre procurando ser ele mesmo, e não uma concepção pré-fabricada de um sistema falido. Sua busca por um caminho foi sempre exaltada em sua obra, assim como seu olhar crítico perante os problemas que aqueles oriundos das camadas menos favorecidas têm de enfrentar ao longo de toda a história do Brasil. Vivendo nesse absurdo que é nossa sociedade, Alexandre pôde demonstrar através de sua obra que o que se vale nessa vida é o que se vive e o que se faz, sempre tentando conduzir os seus e aqueles que o escutaram, a não serem alienados perante um sistema excludente e que historicamente tratou com contínua desigualdade aqueles que deveriam ser vistos como iguais.




Alexandre cantou sua vida com orgulho, abriu seu mundo antigo e seu mundo novo para quem quisesse deitar com ele na grama e contemplar o imenso céu azul que se abria à cada novo amanhecer. Azul como é também a cor da parede da casa de Deus, à qual ele tão bem retratou em determinado período do espaço-tempo. Sua habilidade de fazer histórias tristes virarem melodia transformou uma vida fadada às ruas e sujeita às agruras dessa vida, em uma existência memorável. Alexandre carregou em si, no peito e na marra, uma geração inteira consigo, fazendo milhares se espelharem, correrem junto, viverem junto e fazerem tudo por ele. É meu caro, era realmente incrível sua sorte. No meio de tanta gente equivocada que sempre fez mau uso da palavra, ele se utilizou dela para ser a voz e a trilha sonora de milhares. Alexandre viveu pra ser melhor e esse foi um bom modo de se levar a vida, no entanto a lei da vida ditou o fim do jogo para o garoto que veio de São Paulo, se radicou em Santos, e que transformou em músicas os sentimentos de toda uma geração, que foi agraciada por viver no período em que o marginal alado passou por aqui. Vítima de um vício maldito, Alexandre deixou a vida, deixou a família, deixou a carreira, e deixou saudades. Chorão? Não. Chorão ganhou seu lugar na eternidade, no panteão dos rockstars, e sua obra galgou lugares nunca antes imaginados. Alexandre com certeza não sabia como terminaria sua viagem, quando começou lá atrás à cantar e compor. Nunca imaginou que seus vícios e suas virtudes seriam tão intimamente ligados e ao mesmo tempo dístinguidos. Se por vezes fez o que quis, por iguais vezes fez o que teve de fazer. Ele nunca precisou de promessas, assim como nós. Nunca tentou ser perfeito, como nós. Alexandre foi um vencedor, pois lutou pelo que quis. E quando não pôde mais mudar tanta coisa errada, ele viveu seus sonhos, mesmo em tão pouco tempo. Como uma grande amiga me disse certa vez, se ele pudesse ter a chance de dizer algo sobre sua própria morte, acho que diria: "eu procurei me manter afastado mas você me conhece, eu faço tudo errado."
Só o que é bom dura tempo o bastante pra se tornar inesquecível. Mal sabia ele que um dia seria o próprio significado daquilo que escreveu. Salve salve Chorão!

Eu digo Charlie, vocês dizem Brown! Charlie! Brown! Charlie! Brown!

"mas se for pra falar de algo bom, sempre vou lembrar de você.."








This is it.


Quem sou eu

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não sabe de nada, mas acha sobre muita coisa. pensa sobre tudo, o tempo todo. repara em tudo, o tempo todo. acima de qualquer coisa, é um otimista incorrigível. não se apega a estereótipos, e acredita ser essa uma de suas maiores qualidades. prefere um sorriso bonito a um corpo escultural, e um olhar sincero em detrimento de qualquer noitada homérica. não pretende ser e nem inveja o 'estilo charlie sheen' de vida, em absoluto. quer agradá-lo? cite Los Hermanos, The Killers ou Charlie Brown Jr. quer desafiá-lo? jogue a carta +4 no UNO e aguente o revide. hahaha. a estrada vai além do que se vê. nunca se esqueça. :)

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