quinta-feira, 11 de abril de 2013

Vícios & Virtudes.




     Alexandre nunca foi um cara fácil de se entender. Nasceu pobre, mas não nasceu otário, e por toda sua vida foi uma constante contradição. Suas letras sempre retrataram tão bem aquilo com o qual ele tinha maior dificuldade em lidar: vida, família, amor. Ele não era mesmo o senhor do tempo, mas desde novo buscou seu lugar ao sol, jogando tudo pro alto quando achava necessário, pagando o preço de suas escolhas erradas e sempre buscando um recomeço. Do skatista revoltado do início de carreira surgiu um poeta, cuja obra se encontra no mural invisível da eternidade. Alexandre conheceu o lixo e o luxo, os altos e baixos de uma vida cercada de conflitos internos, com os quais aquele homem que via o mundo com olhos de criança não sabia lidar. Mesmo tentando fugir, após algum tempo ele buscou ser levado à sério, encarar a responsa de ser quem é, e foi de encontro aos seus problemas mais terríveis. Sem medo de se expor, Alexandre se colocou no olho do furacão em suas composições, e se fez um símbolo de toda uma geração. Talvez sem saber o tamanho que adquiria com o passar dos anos, e o quanto significava para milhares de pessoas, ele continuou vivendo sua vida, para ser feliz e não para viver em vão. A tenacidade com que defendia o amor e a busca incessante por este, sempre foi algo de se orgulhar. Como ele dizia, uma vida sem amor é uma vida sem sentido. Alexandre sempre teve coragem para viver, passar pelos dias de luta com a mesma paixão que passava pelos dias de glória, sempre querendo encontrar, ou ser encontrado, pelo amor. O amor que encontrou e não soube cuidar, infelizmente. Como ele mesmo escreveu certa vez, só Deus sabe quanto tempo que o tempo deve levar, e esse tempo ele próprio não soube esperar. Seus dias incríveis e seus dias difíceis passaram a se misturar e sua vida entrou em um beco sem saída. Aquele que sempre viveu pra ser feliz e não pra ser comum, não sabia como lidar com os problemas cada vez maiores. "Nossas escolhas vão dizer pra onde iremos", disse ele certa vez. Novamente certo. Novamente vítima de suas próprias palavras. Alexandre sempre disse aquilo que ele mesmo precisava ouvir. Talvez se tivesse feito isso, sua vida teria tido  outro rumo, do qual só os loucos podem saber. Encontrar o amor sem perder a razão foi uma constante busca desse ser humano forte por fora, mas uma criança frágil por dentro. Um homem-menino que não sabia lidar com as próprias imperfeições, mas que não deixava nunca o medo cegar os próprios sonhos.      Nem tão complicado demais, mas não tão simples assim. O jovem Alexandre Magno foi sempre algo além dessa visão dicotômica das pessoas em 'boas ou ruins'. Ele esteve à parte disso, sempre na terceira margem desse rio infinito chamado raça humana, sempre procurando ser ele mesmo, e não uma concepção pré-fabricada de um sistema falido. Sua busca por um caminho foi sempre exaltada em sua obra, assim como seu olhar crítico perante os problemas que aqueles oriundos das camadas menos favorecidas têm de enfrentar ao longo de toda a história do Brasil. Vivendo nesse absurdo que é nossa sociedade, Alexandre pôde demonstrar através de sua obra que o que se vale nessa vida é o que se vive e o que se faz, sempre tentando conduzir os seus e aqueles que o escutaram, a não serem alienados perante um sistema excludente e que historicamente tratou com contínua desigualdade aqueles que deveriam ser vistos como iguais.




Alexandre cantou sua vida com orgulho, abriu seu mundo antigo e seu mundo novo para quem quisesse deitar com ele na grama e contemplar o imenso céu azul que se abria à cada novo amanhecer. Azul como é também a cor da parede da casa de Deus, à qual ele tão bem retratou em determinado período do espaço-tempo. Sua habilidade de fazer histórias tristes virarem melodia transformou uma vida fadada às ruas e sujeita às agruras dessa vida, em uma existência memorável. Alexandre carregou em si, no peito e na marra, uma geração inteira consigo, fazendo milhares se espelharem, correrem junto, viverem junto e fazerem tudo por ele. É meu caro, era realmente incrível sua sorte. No meio de tanta gente equivocada que sempre fez mau uso da palavra, ele se utilizou dela para ser a voz e a trilha sonora de milhares. Alexandre viveu pra ser melhor e esse foi um bom modo de se levar a vida, no entanto a lei da vida ditou o fim do jogo para o garoto que veio de São Paulo, se radicou em Santos, e que transformou em músicas os sentimentos de toda uma geração, que foi agraciada por viver no período em que o marginal alado passou por aqui. Vítima de um vício maldito, Alexandre deixou a vida, deixou a família, deixou a carreira, e deixou saudades. Chorão? Não. Chorão ganhou seu lugar na eternidade, no panteão dos rockstars, e sua obra galgou lugares nunca antes imaginados. Alexandre com certeza não sabia como terminaria sua viagem, quando começou lá atrás à cantar e compor. Nunca imaginou que seus vícios e suas virtudes seriam tão intimamente ligados e ao mesmo tempo dístinguidos. Se por vezes fez o que quis, por iguais vezes fez o que teve de fazer. Ele nunca precisou de promessas, assim como nós. Nunca tentou ser perfeito, como nós. Alexandre foi um vencedor, pois lutou pelo que quis. E quando não pôde mais mudar tanta coisa errada, ele viveu seus sonhos, mesmo em tão pouco tempo. Como uma grande amiga me disse certa vez, se ele pudesse ter a chance de dizer algo sobre sua própria morte, acho que diria: "eu procurei me manter afastado mas você me conhece, eu faço tudo errado."
Só o que é bom dura tempo o bastante pra se tornar inesquecível. Mal sabia ele que um dia seria o próprio significado daquilo que escreveu. Salve salve Chorão!

Eu digo Charlie, vocês dizem Brown! Charlie! Brown! Charlie! Brown!

"mas se for pra falar de algo bom, sempre vou lembrar de você.."








This is it.


Quem sou eu

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não sabe de nada, mas acha sobre muita coisa. pensa sobre tudo, o tempo todo. repara em tudo, o tempo todo. acima de qualquer coisa, é um otimista incorrigível. não se apega a estereótipos, e acredita ser essa uma de suas maiores qualidades. prefere um sorriso bonito a um corpo escultural, e um olhar sincero em detrimento de qualquer noitada homérica. não pretende ser e nem inveja o 'estilo charlie sheen' de vida, em absoluto. quer agradá-lo? cite Los Hermanos, The Killers ou Charlie Brown Jr. quer desafiá-lo? jogue a carta +4 no UNO e aguente o revide. hahaha. a estrada vai além do que se vê. nunca se esqueça. :)

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